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Ministros veem saída da Grécia da zona do euro como “absurdo”

Por Da Redação - 14 Maio 2012, 20h26

Por Jan Strupczewski

BRUXELAS/ATENAS, 14 Mai (Reuters) – Ministros de Finanças da zona do euro qualificaram nesta segunda-feira de “propaganda” e “absurda” a especulação sobre a saída da Grécia da moeda única europeia, mas disseram que o país precisa respeitar os termos de um pacote de resgate oferecido pela União Europeia e FMI.

Se a Grécia conseguir formar um governo e esse governo aderir ao acordo, é possível que algumas metas sejam atenuadas, disse o presidente do conselho de ministros de Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker.

“Não antevejo, nem por um segundo, a Grécia deixando a zona do euro. Isso é absurdo, isso é propaganda”, disse Juncker, que também é primeiro-ministro de Luxemburgo, a jornalistas, menosprezando quem ameaça a Grécia de expulsão.

“A saída da Grécia do euro não foi tema do nosso debate hoje (segunda-feira). Absolutamente ninguém, absolutamente ninguém argumentou nesse sentido”, disse ele após seis horas de reunião entre os 17 ministros.

“Mas o público grego, os cidadãos gregos têm de saber que acordamos um programa, e esse programa precisa ser implementado.”

Oito dias depois de inconclusivas eleições, os partidos gregos foram incapazes de formar uma coalizão, e as pesquisas apontam um avanço dos partidos contrários ao pacote financeiro caso novas eleições sejam realizadas no mês que vem, o que a essa altura parece ser o cenário mais provável.

As autoridades da UE salientam que a margem de renegociação no acordo de 130 bilhões de dólares é ínfima, embora Juncker tenha acenado com algumas concessões caso os partidos gregos consigam superar suas divergências e apoiar o plano de reformas associado ao resgate financeiro.

“Se houvesse mudanças dramáticas nas circunstâncias, não descartaríamos um debate sobre uma prorrogação no período (para o cumprimento das metas pela Grécia)”, disse Juncker.

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“Eu não disse que havia qualquer intenção de prorrogar os prazos, temos de fazer as coisas na ordem apropriada… Precisamos de um governo grego, o governo grego teria de deixar claro que está plenamente comprometido com o programa, e aí, se houvesse circunstâncias excepcionais, não excluiríamos a possibilidade de discutir essa questão”, disse.

“Isso não foi discutido hoje porque duas outras condições não foram atendidas: não temos um governo grego, e não temos quaisquer circunstâncias em particular que ensejem essa discussão. Seja como for, não haveria nenhuma mudança substancial envolvida.”

A Grécia pode ficar sem dinheiro já no mês que vem, e, na ausência de um governo que negocie a próxima parcela da ajuda, os investidores começaram a apostar que mais cedo ou mais tarde haverá uma caótica moratória grega e a retirada do país da moeda única.

Especulações sobre a exclusão de um país do euro costumavam ser tabu para algumas autoridades. Não mais.

No fim de semana, dois diretores do Banco Central Europeu, Luc Coene e Patrick Honohan, manifestaram abertamente a possibilidade de saída da Grécia e concluíram que isso seria fatal para a zona do euro.

Mas há fortes incentivos para manter a Grécia à tona, inclusive o fato de o BCE e os governos da zona do euro serem detentores de grandes volumes de títulos da dívida grega.

Uma moratória “a seco” poderia lhes causar imensos prejuízos, e, se o BCE precisasse se recapitalizar por causa disso, a conta recairia também sobre os governos europeus, a começar pela Alemanha.

Há também o temor de que o caos na Grécia arraste as economias da Espanha e Itália, muito mais relevantes, e ameace a existência da própria moeda comum, riscos que os mercados já começaram a precificar.

O custo do seguro da dívida espanhola contra uma moratória bateu um recorde na segunda-feira, e o ágio cobrado por investidores para financiar a Espanha em vez da Alemanha atingiu seu maior nível na história da moeda única europeia.

(Reportagem adicional de Renee Maltezou e George Georgiopoulos, em Atenas; de Valentina Za, em Milão; de Paul Day, em Madri; e de Emelia Sithole-Matarise, em Londres)

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