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Ministro quer que decisão sobre Embraer fique para depois da eleição

Por ter ações especiais, governo brasileiro tem que ser consultado para emitir opinião sobre o negócio; Joaquim Luna e Silva (Defesa) espera "sensibilidade"

Por Agência Brasil 2 ago 2018, 07h39

O ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, disse considerar como melhor cenário que a fusão da Embraer e da Boeing seja tratada após o período eleitoral. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (1º) após a assinatura da nova edição do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (Pese), projeto coordenado pelo Comando da Aeronáutica.

De acordo com o ministro, tratar da questão durante as eleições poderia prejudicar as negociações. “Se isso for trazido agora, entendemos que isso pode embolar alguma coisa ou dificultar as negociações”, afirmou o general da reserva, que disse esperar “sensibilidade” para que o assunto chegue ao governo depois das eleições.

A fusão das duas empresas foi anunciada no dia 5 de julho, quando a Boeing confirmou em memorando que negociava com a Embraer. Na ocasião, foi divulgado que a companhia norte-americana ficaria com 80% da divisão de jatos comerciais da Embraer ao custo de US$ 3,8 bilhões.

Golden share

Antes da finalização das negociações, o governo brasileiro tem que ser consultado para emitir opinião sobre o negócio, por deter ações especiais da Embraer, chamadas de “golden share”. O prazo para a consulta é de 30 dias após a confirmação das negociações.

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Em razão da venda da Embraer, o governo constituiu um grupo de trabalho envolvendo os ministérios da Defesa (com o comando da Aeronáutica), Fazenda e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para acompanhar as negociações entre a empresa e a Boeing.

De acordo com o ministro, esse grupo ainda não recebeu nenhuma proposta concreta de negócio. “Esse tema ainda não chegou ao governo para decisão, portanto o grupo de trabalho ainda não foi convidado a se manifestar”, disse Silva e Luna.

O ministro afirmou ainda que o Ministério da Defesa tem se preocupado com a preservação da soberania e com a defesa da capacidade tecnológica alocada em projetos militares alavancados pela Embraer.

“O que interessa nas Forças Armadas é a governança dos projetos de defesa. Preocupa a questão da soberania. O ministério defende que os projetos em que a Embraer está envolvida e que são da parte de defesa sejam preservados com 100% de participação do Brasil”, disse.

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