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Ministro diz que demissões não justificam ação direta do governo

Em posse, Armando Monteiro diz que demissões são "questões limitadas" e que não atingirão toda a indústria

Por Da Redação 7 jan 2015, 18h45

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto, afirmou nesta quarta-feira que as informações sobre demissões no setor automotivo ainda são uma questão “extremamente limitada” e que não há problema sistêmico, que justifique ação direta do governo.

“Temos entre 130 e 140 mil trabalhadores no setor automotivo e essas demissões evidentemente representam ainda algo que nós podemos considerar como uma questão ainda extremamente limitada”, afirmou. A Volkswagen confirmou a demissão de 800 funcionários e a Mercedes-Benz informou nesta quarta-feira o desligamento de 260 funcionários.

Monteiro Neto disse que o governo acompanhará a questão com atenção, mas ressaltou que é um assunto que as empresas estão tratando com os sindicatos. “O que constatei é que há disposição de flexibilizar a posição da empresa no sentido de encontrar um denominador”, disse, em referência à Volkswagen.

“Quanto à demissão na Mercedes-Benz, é um ajuste ainda muito pequeno e pouco expressivo”, completou. “Portanto, de forma objetiva, vamos ficar acompanhando desdobramentos, mas não há nada que justifique intervenção do governo”, reforçou.

As declarações de Monteiro contradizem as do ministro do Trabalho, Manoel Dias. Na terça-feira, Dias chegou a ligar para o presidente da Volks para cobrar explicações sobre as demissões na empresa.

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Anfavea – O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse que as demissões dos 800 funcionários da fábrica da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP) são pontuais e não devem se espalhar para outras montadoras no país.

“É um processo independente, pontual, que é objeto de negociação entre empresa, trabalhadores e sindicato e temos convicção que rapidamente as partes chegarão a um novo acordo”, declarou Moan, acrescentando que até o momento não há informações de outros casos dessa natureza. Moan avaliou, junto com o ministro do Trabalho, Manoel Dias, que há tempo necessário para que as partes se ajustem e negou que a Anfavea tenha pedido eventual ajuda do governo federal para resolver a situação.

Setor em crise – As demissões no setor automotivo tiveram início em 2014, com o fechamento da fábrica da GM em São José dos Campos e os 650 desligamentos na Peugeot-Citroen na planta de Porto Real, no Rio de Janeiro. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o emprego na indústria de transporte, onde as montadoras se inserem, recuou 5% entre janeiro e outubro de 2014, que é o dado mais recente apurado pelo Instituto.

Com as vendas de veículos em queda, a produção também foi afetada (caiu 15% no acumulado do ano passado até novembro) e as empresas se ajustam para enfrentar um ano difícil. A previsão de crédito mais caro e escasso também é contabilizada na matemática das montadoras.

As demissões na Volks e na Mercedes-Benz, apesar de esperadas, são emblemáticas. As centrais sindicais se armam em protesto contra as empresas e, em última instância, contra o governo. A presidente Dilma foi autora de um dos pacotes mais nocivos para a indústria brasileira durante seu mandato: o Inovar-Auto, que previa a elevação de imposto para automóveis importados e a exigência de conteúdo nacional para estimular a cadeia produtiva no Brasil. Como se tratava de uma demanda antiga das montadoras nacionais, ficou acertado entre governo, empresários e centrais sindicais que a moeda de troca para os benefícios era não haver demissões no setor.

Com o passar dos anos, a desaceleração econômica acabou expondo inúmeras ineficiências da política econômica da presidente reeleita: uma delas foi a ineficácia do programa Inovar-Auto. Ele não barateou os carros fabricados no Brasil e tampouco foi suficiente para blindar a indústria de solavancos macroeconômicos.

Agora, com as demissões nas empresas que mais receberam benefícios do governo ocorrendo justamente após as eleições, as centrais sindicais se mobilizam em fúria. Afinal, acionaram seus militantes para eleger a presidente Dilma pensando no bem-estar da classe. Percebem, agora, que foi tudo em vão.

(Com Estadão Conteúdo)

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