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Ministro das Finanças grego defende rápida aprovação de novo resgate

Por Da Redação 15 nov 2011, 17h44

Yannis Chryssoverghis.

Atenas, 15 nov (EFE).- O ministro das Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, advertiu nesta terça-feira no Parlamento do país que Atenas precisa ratificar rapidamente o segundo plano de resgate financeiro estipulado com a zona do euro se quiser evitar a moratória.

‘A ratificação deve ser feita o mais rápido possível’, enfatizou Venizelos durante seu discurso em um debate de três dias, que termina nesta quarta-feira com uma votação de confiança para o novo Executivo de união nacional formado por socialistas, conservadores e ultradireitistas.

‘Este governo é a última oportunidade para a Grécia, pois a solidariedade europeia não está assegurada para sempre’, ressaltou Venizelos, também vice-primeiro-ministro.

A prioridade absoluta, em sua opinião, é receber antes do dia 15 de dezembro os 8 bilhões de euros pendentes do primeiro resgate financeiro, condicionado a mais medidas de austeridade econômica por parte do governo grego.

Para atingir essa meta, o novo governo precisa ratificar as impopulares medidas de austeridade exigidas pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) antes que os credores liberem os recursos para evitar a moratória.

‘Ajudaremos a nós e a zona do euro se fizermos o que temos de fazer agora, de forma rápida e responsável, para fazer com que a Grécia seja sempre parte da zona do euro’, destacou o ministro.

O mesmo tom dramático foi adotado pelo ex-primeiro-ministro Giorgos Papandreou ao afirmar que ‘o país se encontra em guerra contra a arbitrariedade dos mercados’ que ameaça as democracias europeias.

Totalmente oposta foi a atitude da maioria dos parlamentares da legenda conservadora Nova Democracia, opositora de Papandreou e parceira da nova coalizão. Eles se comportavam como se não fossem votar a favor do novo governo, no qual contam com os ministérios das Relações Exteriores e Defesa.

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O governo de Lucas Papademos deve enfrentar uma situação social e econômica muito complicada, como a rebelião quase aberta dos funcionários em protesto contra as demissões em massa no setor público.

A deterioração econômica agrava a angústia e o pessimismo generalizados entre os gregos, com um índice de desemprego que já supera 18% da população economicamente ativa e tende a piorar.

A economia grega sofreu contração de 5,2% no terceiro trimestre, segundo os dados oficiais divulgados nesta terça-feira, que acentuam a profundidade da crise e dificultam enormemente o combate ao déficit público diante da economia estagnada.

Apesar da grande contração, essa é a primeira vez que a recessão diminui desde 2010, após ter atingido 8,3% no primeiro trimestre de 2011 e 7,4% no segundo trimestre deste ano.

Com esta situação, os supervisores do grupo conhecido como ‘troika’ – formado pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional (FMI) – visitarão Atenas na próxima sexta-feira para avaliar se há condições para desbloquear os recursos prometidos.

Papademos viajará a Bruxelas na próxima segunda-feira para se reunir com os presidentes da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman van Rompuy.

Antes de liberar os 8 bilhões de euros pendentes, a UE espera que todos os membros do governo grego garantam, em documento escrito, o compromisso com a redução do déficit e as reformas estipuladas com os parceiros europeus.

Mas até agora o líder conservador Antonis Samaras se negou a assinar tal documento, alegando que sua palavra é ‘suficiente’ e rejeitando possíveis novas medidas de austeridade.

Embora o novo governo de transição possua amplo apoio popular, segundo todas as pesquisas de opinião publicadas, os sindicatos e partidos de esquerda estão se mobilizando para expressar rejeição às políticas de cortes de gastos.

Já nesta terça-feira os servidores públicos fizeram uma greve de três horas contra os cortes salariais e as demissões. A Polícia já se prepara para uma manifestação marcada para quinta-feira em memória ao levante estudantil de 1973 contra a ditadura dos coronéis. EFE

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