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Ministério do Trabalho autua igreja por trabalho escravo

Vítimas trabalhavam em fazendas em Minas Gerais, na Bahia e em estabelecimentos no Estado de São Paulo

A empresa Nova Visão Assessoria e Consultoria, ligada à Igreja Cristã Traduzindo o Verbo, foi multada pelo Ministério do Trabalho, nesta quinta-feira (15), por manter 565 trabalhadores em condição análoga à de escravidão.

As vítimas trabalhavam em fazendas de produção hortigranjeira (seis em Minas Gerais e três na Bahia) e em cafés, restaurantes, casas comunitárias e um posto de gasolina no Estado de São Paulo. Também foi cometido crime de tráfico de pessoas.

A autuação faz parte da Operação Canãa – A Colheita Final, feita junto com a Polícia Federal, que já havia prendido 13 dirigentes do grupo econômico e da igreja. Cerca de dez dirigentes continuam foragidos. A reportagem não localizou representantes da igreja para comentar o assunto.

Além do trabalho escravo, a igreja está sendo autuada porque 438 trabalhadores não tinham registro em Carteira de Trabalho e 32 eram adolescentes em atividades proibidas para menores. Nas fazendas, os trabalhadores não recebiam remuneração, a jornada de trabalho não era controlada e não tinham direito trabalhista. Na cidade, parte das vítimas não tinha garantido qualquer direito laboral.

Segundo o coordenador da operação, o auditor-fiscal Marcelo Campos, as vítimas não se achavam exploradas e diziam trabalhar em nome da fé e da coletividade. “Essa foi uma operação diferente de todas as outras. Normalmente, quando os fiscais chegam com a polícia, os trabalhadores ficam aliviados, porque nos enxergam como salvadores. Neste caso não. Eles achavam que nós éramos demônios que os estavam retirando de sua missão e não concordaram em deixar os locais”, relata.

O grupo responsável pela igreja deverá regularizar a situação dos trabalhadores, que terão de receber retroativamente pelos serviços prestados.