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Minerais críticos podem adicionar R$ 192 bilhões ao PIB brasileiro até 2050

Pesquisa indica que atração de capital estrangeiro e processamento no país ampliariam geração de empregos

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 ago 2026, 18h44 | Atualizado em 5 ago 2026, 18h49
Minerais críticos podem adicionar R$ 192 bilhões ao PIB brasileiro até 2050 Priorizar nos meus resultados Google

A corrida mundial por minerais críticos, impulsionada pela expansão da indústria de veículos elétricos, baterias e equipamentos para geração de energia renovável, pode abrir uma nova frente de crescimento para a economia brasileira.

Um estudo elaborado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) estima que o fortalecimento da cadeia produtiva desses minerais poderá adicionar R$ 192 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do país e gerar cerca de 750 mil empregos até 2050.

Divulgado nesta terça-feira (4) pela Amcham Brasil, o levantamento compara dois caminhos para o desenvolvimento do setor.

Em ambos, a demanda internacional por minerais estratégicos cresce, acompanhando a transição energética e o avanço da indústria de alta tecnologia. A diferença está na forma como o Brasil aproveita essa oportunidade.

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No cenário considerado mais favorável, o país amplia a participação de investimento estrangeiro, aumenta o processamento dos minerais em território nacional e fortalece sua utilização pela indústria brasileira.

Já em um cenário de menor agregação de valor, em que os investimentos são financiados principalmente por capital doméstico e a produção permanece concentrada na exportação de minério, o impacto seria menor.

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O estudo calcula um acréscimo de R$ 129 bilhões ao PIB e cerca de 304 mil empregos.

A diferença entre os dois modelos representa um ganho adicional de R$ 63 bilhões para a economia brasileira, além de R$ 32 bilhões no consumo das famílias, R$ 16 bilhões em investimentos e aproximadamente 446 mil empregos, segundo as projeções.

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O levantamento considera as cadeias de cobre, grafita, lítio, níquel, cobalto e elementos de terras raras, matérias-primas consideradas essenciais para a fabricação de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e outras tecnologias ligadas à transição energética.

Embora detenha algumas das maiores reservas desses minerais, o Brasil ainda participa principalmente como fornecedor de matéria-prima, com baixo nível de processamento industrial.

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Os impactos econômicos tendem a se concentrar inicialmente nos estados produtores. Pará aparece como o principal beneficiado, seguido por Bahia, Goiás, Piauí e Minas Gerais.

No entanto, o estudo indica que o avanço do processamento doméstico distribuiria parte desses ganhos para estados com maior parque industrial, como São Paulo, Santa Catarina, Paraná e o próprio Minas Gerais.

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Na análise setorial, a indústria de transformação teria crescimento acumulado de 1,8% no cenário de maior industrialização, quase três vezes acima do observado no modelo baseado predominantemente na exportação de minério.

Também se destacam a construção civil, com expansão de 4,5%, e a indústria extrativa, com avanço de 4,2%.

Entre os segmentos industriais, os maiores efeitos seriam observados na fabricação de máquinas e equipamentos elétricos, máquinas para mineração, automóveis e equipamentos mecânicos, refletindo o potencial de encadeamento da atividade para além da mineração.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da UFMG e da UFJF, com apoio da U.S. Chamber of Commerce e de empresas do setor.

As projeções utilizam estimativas internacionais de demanda por minerais críticos e uma carteira de investimentos previstos no Brasil para calcular os impactos econômicos até 2050.

Especialistas apontam que a disputa internacional por esses insumos se intensificou nos últimos anos, à medida que Estados Unidos, China e União Europeia passaram a tratá-los como ativos estratégicos para a segurança industrial e a transição energética.

Nesse cenário, países detentores de grandes reservas, como o Brasil, buscam ampliar sua participação nas cadeias globais de valor, agregando processamento e fabricação de produtos de maior valor agregado, em vez de se limitar à exportação de minério.

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