Milei quebra o silêncio sobre papel dos Estados Unidos na crise argentina
Presidente afirma que ajuda financeira americana representou menos de 5% dos recursos mobilizados durante a crise cambial
O presidente da Argentina, Javier Milei, rejeitou nesta sexta-feira, 31, a avaliação de que os Estados Unidos foram decisivos para evitar um colapso financeiro no país durante a crise cambial enfrentada no ano passado.
“É muito desonesto dizer que os Estados Unidos salvaram a Argentina”, afirmou, ao minimizar o peso do acordo firmado com Washington em meio à disparada do dólar e à pressão sobre o sistema financeiro.
Segundo Milei, o governo conseguiu enfrentar uma corrida equivalente a 70 bilhões de dólares, enquanto o apoio americano representou apenas 2,5 bilhões de dólares, menos de 5% do total. “
É muito desonesto intelectualmente dizer que tudo mudou por causa de uma parcela tão pequena”, afirmou em entrevista à emissora Telefe, um dia depois de anunciar, em cadeia nacional, uma proposta de reforma da carta orgânica do Banco Central argentino.
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Durante a entrevista, o presidente voltou a atacar parte da imprensa, que acusa de distorcer a atuação de seu governo.
Para Milei, a narrativa de que a Argentina só conseguiu superar a turbulência financeira graças ao apoio dos Estados Unidos ignora as medidas adotadas internamente para enfrentar a crise.
O presidente também saiu em defesa de Manuel Adorni, que deixou o cargo de chefe de Gabinete após se tornar alvo de uma investigação por suspeitas de enriquecimento ilícito.
Milei afirmou que conversou recentemente com o ex-ministro e disse acreditar em sua inocência. Segundo ele, cabe exclusivamente à Justiça determinar eventual responsabilidade criminal.
“Uma pessoa é inocente até que se prove o contrário”, afirmou. O presidente também criticou a cobertura do caso pela imprensa e acusou jornalistas de agir como investigadores e juízes antes da conclusão das apurações.
Adorni renunciou ao cargo depois de admitir inconsistências em suas declarações patrimoniais e reconhecer que havia omitido informações sobre seu patrimônio e débitos tributários, fatos que passaram a ser investigados pela Justiça. Milei, no entanto, evitou comentar essas confissões durante a entrevista.
Questionado sobre a política externa, o presidente voltou a defender a estratégia de seu governo para tentar avançar nas negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas.
Segundo Milei, sua administração obteve os maiores avanços diplomáticos já registrados na relação com o Reino Unido.
Ao comentar a bandeira com a frase “As Malvinas são argentinas”, exibida por jogadores da seleção após a vitória sobre a Inglaterra na Copa do Mundo de 2026, Milei afirmou que manifestações dos atletas são compreensíveis, mas fez um alerta para que o tema não seja explorado politicamente.
“O gol de Maradona contra a Inglaterra não devolveu as ilhas”, afirmou.
Na mesma entrevista, Milei comentou ainda sua relação com o ex-presidente Mauricio Macri.
Disse que os dois continuam próximos, embora não se encontrem há algum tempo, e brincou ao ser questionado sobre sua vida pessoal.
Ao responder se havia retomado o relacionamento com a atriz Fátima Florez, afirmou que sua rotina de governo impede que mantenha uma vida afetiva estável.
“Tenho uma vida tão exigente que não consigo ter uma relação razoável com ninguém”, disse.







