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Metalúrgicos protestam contra incidência de IR em PLR

Por Wladimir D’Andrade

São Paulo – Metalúrgicos do ABC farão amanhã uma passeata na Via Anchieta em apoio à proposta dos sindicatos dos Bancários de São Paulo, dos Metalúrgicos do ABC, dos Químicos do ABC e dos Químicos de São Paulo, ligados à CUT, e dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, ligado à Força Sindical, dealterar as alíquotas do Imposto de Renda incidente sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) pagos pelas empresas aos trabalhadores. A PLR é hoje tributada a partir de um ganho mensal de R$ 1.566,62 e esses sindicatos propõem que a cobrança incida a partir de um ganho mensal de R$ 8.000,01.

O projeto será encaminhado, na próxima quinta-feira, junto com um abaixo-assinado, ao presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS) e ao Secretário-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. As entidades também estão tentando agendar uma conversa com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para levar a reivindicação. “Hoje os trabalhadores pagam R$ 1,8 bilhão de Imposto de Renda (incidente sobre a PLR)”, disse a presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira. De acordo com ela, a PLR possui a mesma característica dos dividendos de acionistas de empresas, que não são tributadas no IR. “O que a gente quer é essa mesma lógica para o trabalhador”, complementou.

De acordo com os sindicalistas, a atual alíquota incidente sobre a PLR retira o poder de compra dos trabalhadores. “Estamos em um momento em que precisamos incentivar o consumo para enfrentar a crise internacional”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre. Segundo Nobre, a categoria conseguiu este ano R$ 437 milhões em PLR para 36,4 mil trabalhadores. Deste montante, R$ 93,7 milhões foram retidos pelo Imposto de Renda. Com a nova proposta, os trabalhadores perderiam apenas cerca de R$ 10 milhões, informa o sindicalista.

A campanha dos sindicatos vai atuar em duas frentes: uma em apoio aos projetos dos deputados federais Vicentinho (PT-SP) e Ricardo Berzoini (PT-SP), que pretendem zerar a cobrança do imposto sobre a PLR e, em outra frente, conseguir uma mudança imediata nas alíquotas por meio de decretos ou Medida Provisória (MP). “Sabemos que, no Congresso, o projeto tem um rito demorado. Mas o ministro da Fazenda pode rever as alíquotas, ele tem a caneta para isso”, disse.

O protesto marcado para amanhã na Via Anchieta deve fechar parcialmente a rodovia no quilômetro 20, sentido São Paulo. A marcha será realizada por metalúrgicos da fábrica da Volkswagen, da Scania, e da Karmanghia e pretende reunir 10 mil trabalhadores. “O nosso objetivo não é dificultar a vida dos motoristas, e sim chamar a atenção para o projeto”, afirmou Nobre, admitindo porém, que transtornos são inevitáveis. “Espero que seja a primeira e a última manifestação”, emendou.Os trabalhadores iniciarão a caminhada às 7h40 da manhã a partir da fábrica da Volkswagen e encontrarão os colegas das outras montadoras próximo ao posto da Polícia Rodoviária.