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Mesmo com sinais de recuo, inflação alta está no radar de supermercados

Setor manteve taxa de crescimento acima de 5% em 2021; prorrogação do auxílio emergencial e novas lojas justificam desempenho

Por Felipe Mendes Atualizado em 9 jul 2021, 12h56 - Publicado em 9 jul 2021, 12h11

Com o consumo para o lar em alta por conta da pandemia de Covid-19, a Associação Brasileira de Supermercados, a Abras, prevê que a inflação não será um problema passageiro para o setor. Devido à bandeira vermelha da energia elétrica, a cadeia produtora tem visto seus custos subirem nos últimos meses e a tendência é que os preços dos produtos disponíveis nas gôndolas dos estabelecimentos continuem sofrendo esse impacto. Segundo o índice Abrasmercado, usado pela entidade para medir a variação de preço numa cesta composta pelos 35 produtos mais vendidos nos supermercados, a alta em maio frente a abril foi de 1,52%, chegando a 653,42 reais. Há doze meses, no entanto, esse valor era de 534 reais — o avanço nesse intervalo é de 22%.

“Tanto a soja como o arroz, que tiveram um aumento bastante expressivo no ano passado, começam a dar sinais de um recuo. Nesses primeiros cinco meses, o preço do arroz caiu 4,5% e o do óleo de soja caiu 1,6%. É pouco, mas sinaliza uma baixa de preço”, aponta o vice-presidente da instituição, Marcio Milan. O executivo aponta o ovo, a carne bovina e produtos derivados do leite e da farinha de trigo como os principais candidatos a despontar na tabela de preços nos próximos meses. “O ovo, por ser uma proteína que substitui a carne e o frango, está com aumento este ano de 11,4%. Esse item também passou a ser mais exportado pelo Brasil este ano. Então é algo que temos de ficar atentos.”

Em maio, as maiores altas de preços notadas pela entidade entre os itens mais comercializados do setor foram o tomate (+7,12%), o biscoito cream cracker (+3,58%), o corte dianteiro da carne bovina (+3,20%), o corte traseiro da carne bovina (+3,07%) e a farinha de trigo (+3,02%). Na outra ponta, aparecem entre as maiores baixas a cebola (-11,47%), o arroz (-1,92%), o xampu (-1,20%) e a batata (-0,86%). Entre as regiões, a maior oscilação para cima vista no mês foi no Sul (+2,10%), onde o valor médio da cesta passou de 694,99 reais para 709,59 reais.

De janeiro a maio deste ano, o setor de supermercados acumula alta real nas vendas de 5,32%. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, a alta é de 2,88%. Para Milan, os bons números do setor provêm da expansão acelerada de algumas redes. “O setor continua investindo. Nesse período, de abril e maio, foram abertas 24 novas lojas, que trouxeram 3,5 mil novos empregos. No ano, já são 30,8 mil empregos gerados”, diz. Outro fator, claro, é o auxílio emergencial, ainda que o montante pago pelo governo aos beneficiários tenha sido desidratado este ano. O executivo aponta que dois terços do valor do programa são gastos em supermercados.

No fim de 2020, a Abras projetou que o crescimento do setor de supermercados para este ano seria de 4,5%. Milan, no entanto, admite que a entidade deve refazer os cálculos e subir essa régua. Ele projeta um avanço acima de 5% para 2021. Em sua visão, o segundo semestre do ano reserva expectativas otimistas para o setor, como o pagamento da segunda parcela do 13º salários aos beneficiários do INSS, a prorrogação do auxílio emergencial e os novos lotes da restituição do Imposto de Renda, além da expectativa de vacinação em massa. “A grande concentração de inaugurações de novas lojas também se dá no final do primeiro semestre e durante o segundo semestre. Então a gente também tem uma movimentação em relação a isso”.

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