Clique e Assine por somente R$ 2,50/semana

Mês de recordes: por que novembro foi especial para o mercado de ações

No Brasil, os acontecimentos permitiram ao Ibovespa recuperar o patamar pré-pandemia, mas risco fiscal impede recorde histórico

Por Luisa Purchio Atualizado em 1 dez 2020, 12h21 - Publicado em 30 nov 2020, 18h55

Após encerrar uma série de indefinições que afugentaram o capital de risco, o mês de novembro foi explosivo para os investidores no mercado de ações e acumulou recordes importantes nas bolsas americanas. No dia 24 de novembro, o índice Dow Jones atingiu o patamar inédito dos 30.046,24 pontos, e no dia 27 de novembro foi a vez do S&P 500 superar índice histórico e fechar a 3.638,35 mil pontos. No mês, os índices acumulam alta de 11,83% e de 10,75%, respectivamente. No Brasil, não houve recorde histórico diário, mas as altas consecutivas culminaram em uma importante recuperação de patamar. No dia 27 de novembro, o Ibovespa ultrapassou os 110 mil pontos, patamar perdido no dia 21 de fevereiro.  Nesta segunda-feira, 30, em dia de realização nos mercados mundo afora, o Ibovespa fechou a 108.893 pontos, em queda de 1,52%, porém, mesmo com esse resultado, no mês, a alta da bolsa brasileira é de 15,90%. É  melhor variação para o mês desde 1999.

A definição da eleição presidencial nos Estados Unidos foi o grande destrave do mercado de capitais. Mesmo que o republicano Donald Trump ainda conteste o resultado às urnas, o mercado duvida que ele terá êxito e, por isso, prevê estabilidade na Casa Branca a partir da eleição de Joe Biden. Além disso, ainda que a maioria no Senado americano vá se definir apenas em janeiro, por causa da pendência da definição de duas cadeiras no estado da Geórgia, a expectativa é que os juros no país se manterão baixos e que continue havendo estímulos fiscais robustos para impulsionar a recuperação da economia – e eles são altamente benéficos para as bolsas.

  • Por isso mesmo, o dólar se desvalorizou no mês. O índice DXY, conhecido como o índice do dólar porque mede a sua força em relação a uma cesta de moedas, a principal delas o euro, caiu 2,15% no mês. Para o Brasil, a notícia foi também foi positiva e a B3 viu um retorno nos investidores internacionais que haviam fugido do país: até o dia 26 de novembro, o saldo de compras menos vendas na B3 é de 31,462 bilhões de reais (sem incluir os dados de IPO e Follow On), inédito em pelo menos nos últimos dois anos.

    Acompanhando o cenário internacional, o dólar comercial caiu 6,83% em relação ao real neste mês. Mesmo com a queda acentuada, deterioração da situação fiscal do país elevou a cotação da moeda brasileira quando olhada no acumulado do ano: no dia 31 de dezembro de 2019 o dólar comercial estava a 4,012 reais, e hoje está a 5,346 reais.

    Covid e imunização

    Além disso, as notícias sobre o avanço das vacinas foram benéficas para as chamadas empresas de valor. Elas são diferentes das conhecidas como empresas de crescimento, ou seja, aquelas com potencial grande de expansão, como é o caso do que ocorreu com as empresas de tecnologia e comércio online durante a pandemia. Este mês, as empresas mais tradicionais e ligadas à volta da normalidade crescem significativamente, como é o caso da Petrobras e da Vale.” Desde a pandemia essas empresas ficaram para trás, e agora passaram a respirar. Elas têm um peso muito grande no Ibovespa, a dúvida é se esse processo continuará em dezembro”, diz André Perfeito, da Necton Investimentos.

    Apesar de o ministro da economia, Paulo Guedes, afirmar que a agenda econômica pode caminhar no Congresso ainda este ano, muito são céticos quanto a essa possibilidade, principalmente em meio ao cenário político que se configurou após as eleições municipais. “Bolsonaro é muito próximo de Arthur Lira, e o PP [Partido Progressistas] foi bem. Agora dois centros, Lira e Rodrigo Maia, vão brigar pela presidência da casa. Isso é bom para a agenda econômica em alguma medida, mas sugiro cautela porque essa briga de foice pode gerar alguma paralisia de agenda”, analisa Perfeito.

    Por isso, a expectativa é que o mês de dezembro seja menos otimista para o mercado financeiro, afinal não há no radar uma espera pelo desdobramento de um acontecimento tão importante quanto os ocorridos em novembro, como as eleições americanas. Ainda assim, sempre é possível que um acontecimento fora do radar surpreenda a todos.

    Continua após a publicidade
    Publicidade