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Mercedes-Benz anuncia corte de 1.500 empregos e trabalhadores entram em greve

Os funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) rejeitaram uma proposta de manutenção das vagas por um ano em troca da redução de 10% dos salários

A Mercedes-Benz demitirá 1.500 empregos da fábrica de veículos comerciais em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, em resposta a uma queda na demanda no Brasil. Os funcionários afetados foram notificados na sexta-feira, disse um porta-voz da montadora nesta segunda-feira. As demissões fizeram os 7 mil trabalhadores da fábrica decidirem por greve por tempo indeterminado, informou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

“Muitos companheiros receberam telegramas no final da semana, e a empresa já disse que haverá uma segunda parte (de cortes), sem informar a quantidade”, disse em comunicado à imprensa o diretor do sindicato, Sérgio Nobre. A montadora afirma que tem um excedente de 2 mil trabalhadores na fábrica.

Os trabalhadores da fábrica rejeitaram uma proposta de manutenção de empregos por um ano em troca de uma redução salarial de 10%, mas o porta-voz da Daimler, dona da Mercedes, disse que as negociações com os trabalhadores podem ser retomadas no começo de setembro. O sindicato tentava negociar a adesão da empresa ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE) anunciado pelo governo federal, mas não houve acordo. Segundo a entidade, a montadora considera o PPE insuficiente para o momento.

As vendas de caminhões da Mercedes-Benz no Brasil acumularam queda de cerca de 43% de janeiro a julho ante o mesmo período do ano passado, a 11.450 unidades. No mesmo período, os licenciamentos no segmento recuaram 43% no país.

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O mercado brasileiro de caminhões vem em queda desde o começo de 2013, com a economia fraca, inflação alta e condições difíceis de financiamento limitando investimentos em veículos comerciais. A Daimler cortou cerca de 3 mil empregos no Brasil na época, reduzindo sua força de trabalho para 11.854 trabalhadores até o final de junho. A companhia tem mais de 280 mil funcionários no mundo.

(Com agência Reuters)