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Mercado espera manutenção de Selic em 11% nesta quarta

O Comitê de Política Monetária (Copom) está reunido para decidir sobre a estratégia de juros desde terça-feira

Por Da Redação - 3 Sep 2014, 10h14

O Comitê de Política Monetária (Copom) vai decidir na noite desta quarta-feira se mantém ou não a taxa básica de juros, Selic, em 11% ao ano a reunião começou terça-feira. Grande parte dos economistas brasileiros acredita que não haverá surpresas e a equipe econômica, comandada pelo presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, manterá a taxa do jeito que está, assim como fez na última reunião. O crescimento fraco da economia, que entrou em recessão no primeiro semestre, deve segurar um pouco o avanço da inflação nos próximos meses, na opinião de analistas do Bradesco. Em paralelo, as recém-anunciadas medidas para estimular o crédito foram a aposta do governo para tentar ressuscitar o consumo das famílias.

“Se, por um lado, a economia mostra sinais de fraqueza, por outro, a inflação continua alta. Com esse cenário incerto, o BC deve adotar um tom neutro na ata de sua reunião, mantendo a afirmação de que continuará vigilante com o mercado e não deve alterar a Selic nas próximas reuniões”, aponta Luciano Rostagno, estrategista chefe do Banco Mizuho do Brasil. Geralmente, o Copom sobe a Selic para conter o avanço dos preços ao consumidor e derruba a taxa para estimular o consumo.

“Um quadro no qual os indicadores de confiança econômica continuam recuando, de estoques elevados na indústria e de desaceleração no ritmo de geração de empregos, avaliamos que a inflação de preços livres cederá, ainda que de forma gradual, explicou, em relatório, Octávio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco. Contudo, ele alerta que a inflação ainda deve ser uma preocupação, já que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar 2014 próximo ao limite máximo da meta (6,5%).

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Os analistas do Banco Fator, além de projetarem a manutenção da Selic nesta reunião, também apostam que o tom da ata do Copom, a ser divulgada na quinta-feira da próxima semana, não deve mudar em relação à anterior. O BC deve continuar “vigilante” com os movimentos inflacionários e acompanhar o desenrolar da crise internacional, que pode também influenciar no câmbio.

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Para 2015, os economistas ouvidos para o relatório Focus, do BC, projetam a Selic a 11,75%, já considerando que ano que vem o governo precisará reajustar os preços administrados (como energia, combustível e tarifas públicas), contidos nestes últimos anos. O professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Pedro Raffy Vartanian, espera um reajuste nos preços dos combustíveis no último bimestre deste ano e uma correção em outros preços administrados em 2015. Pode influenciar ainda a inflação o aumento da tributação de bebidas, também postergado, e a retirada o aumento do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) de automóveis e linha branca.

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