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Mercado erótico cresce 15% ao ano no Brasil

Principal promoção da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme), a 15ª edição da feira de produtos eróticos Erótika Fair começou hoje no Mart Center, na Zona Norte de São Paulo. Até segunda-feira, o evento espera receber 20 000 pessoas. Além dos estandes montados por fabricantes e distribuidores de todo o Brasil, e dos shows que aquecem o pavilhão paralelo, a festa será animada pelo lançamento do Guia de Negócios Sex Shop, uma publicação dirigida a empresários. É um sintoma da profissionalização cada vez mais aguda de um mercado ainda levado pouco a sério no país.

“O Brasil está entrando numa terceira fase dos negócios eróticos”, explica Paula Aguiar, autora do Guia. “A primeira, foi a descoberta desses produtos por quem viajava para o exterior. A segunda, a criação de fábricas, a maioria familiar. Um comércio mais intuitivo”. Nos próximos dez anos, Paula aposta na expansão qualitativa, principalmente com relação ao design.

Com crescimento anual de 15%, esse setor movimenta 1 bilhão de reais por ano, quantia superior ao faturamento total dos fabricantes de brinquedos � 963 milhões de reais em 2008. Pode-se deduzir que os números reais são mais musculosos, porque os cálculos da Abeme não incluem algumas produtoras de filmes, como a Brasileirinhas – maior do gênero no país. Também não abrangem o dinheiro que circula por motéis e casas noturnas. Ainda assim, tímidos, sobretudo se comparados com os Estados Unidos, onde a circulação é de 12,46 bilhões de dólares ao ano, ou 22% do mercado mundial.

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Se há alguns anos os vídeos respondiam por mais de 50% do faturamento do mercado erótico no Brasil, hoje não representam sequer 30%. O grande filão é o comércio de produtos, como próteses, vibradores e cosméticos. A trajetória da Hot Flowers, fábrica ancorada em Indaiatuba, no interior de São Paulo, ajuda a fazer uma radiografia da evolução desse setor no país. A empresa conseguiu levar lojas de lingerie tradicionais ao centro da cadeia de distribuição dos produtos eróticos. “Quando começamos, em 2004, o mercado estava com as portas fechadas para novos empresários”, conta Edvaldo Bertipaglia, presidente da Hot Flowers. “Como não conseguíamos vender nos sex shops, procuramos as lojas de lingerie”. Deu certo. Hoje muitas lojas de roupas íntimas têm uma área reservada aos produtos eróticos.

Espalhada por seis galpões que ocupam mais de 5 000 metros quadrados, a empresa tem 1 000 itens no catálogo, 95% dos quais totalmente produzidos na própria fábrica – característica rara num mercado que importa três quartos dos produtos que comercializa. A Hot Flowers foi uma das primeiras a assimilar uma das lições mais caras do meio: é fundamental investir em boas embalagens. “Os EUA sabem que injetar cinco dólares a mais na apresentação deixará o produto mais caro”, diz Evaldo Shiroma, presidente da Abeme. “Em compensação, essa diferença de qualidade será fundamental no momento em que o cliente for escolher o que comprar”. O artista plástico paulistano Von Victor foi o responsável pela repaginação de alguns produtos da Hot Flowers.

Na contramão do caminho percorrido pela maioria das empresas do gênero, a Hot Flowers acaba de ingressar no comércio de filmes. “Queremos abranger todos os segmentos do mercado”, diz Bertipaglia. A sacada foi acrescentar ao DVD, além da mídia, um produto de sua linha. Nessa levada, a taxa de crescimento da empresa está na faixa dos 80% ao ano. “Só não comercializamos mais, porque não temos como entregar”, afirma Eliana Bertipaglia, mulher e sócia de Edvaldo. Por mês, a fábrica vende 600 000 frascos de cosméticos (hidratantes, óleos e gels) e 100 000 próteses.