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Mercado aumenta estimativa e espera alta mais agressiva na Selic

Expectativa é de aumento de 3 pontos percentuais até o final do ano, sendo 1,5 já nessa reunião; postura é vista como essencial para BC manter credibilidade

Por Luana Meneghetti Atualizado em 29 out 2021, 14h58 - Publicado em 27 out 2021, 10h26

O mercado financeiro aguarda ansioso nesta quarta-feira, 27, pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os rumos para a taxa básica de juros, a Selic. Com o aumento do risco fiscal no país nos após o drible no teto dos gastos e maior pressão inflacionária, a expectativa é de um aumento mais agressivo, de 1,5 ponto percentual para mais na Selic. Nas duas últimas reuniões, o aumento foi de 1 ponto, e havia o indicativo da autoridade monetária em seguir a trajetória, porém, o cenário se deteriorou.

A Selic que está hoje em 6,25% pode encerrar o ano em 8,75%, de acordo com o Boletim Focus divulgado na segunda-feira, 25. Anteriormente, a projeção dos analistas para a Selic era de 8,25%. Mas, nos últimos dias, a pressão inflacionária com o último resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem elevado as perspectivas para um maior aperto inflacionário. O IPCA avançou 1,20% no mês acumulando alta de 10,34% em dose meses. “O dado é preocupante pois as pressões estão vindo de vários setores – combustíveis, energia, alimentos, bens industriais e serviços – e os núcleos de inflação se encontram acima do limite superior da meta”, aponta a Suno Research em seu relatório de análise.

A piora do cenário levou algumas casas a projetarem que a taxa termine o ano entre 9% a 9,25%. Na avaliação do Itaú, o Copom deve aumentar a Selic em 1,5 ponto percentual, de 6,25% para 7,75%, e manter esse ajuste de 1,5 ponto percentual na última reunião do ano, que acontece em dezembro, encerrando com a taxa em 9,25%. “Taxas de juros mais altas levarão a uma atividade econômica mais fraca, e agora vemos recuo moderado de 0,5% do PIB em 2022, nossa projeção era de crescimento de 0,5% anteriormente”, diz o Itaú em relatório. Na avaliação do banco, o ciclo de altas na Selic deve encerrar com a taxa em 11,25% ao ano, com elevações consecutivas de 1 ponto percentual após as duas altas de 1,5 ponto percentual esperadas agora para o final do ano.

Para a Genial Investimento, o ideal também seria a Selic encerrar o ano em 9,25%, com aumento de não menos que 3 pontos percentuais na taxa, com elevações consecutivas de 1,5 pontos percentuais até o final do ano. Segundo a casa, é fundamental que o Banco Central mostre aos investidores que o regime de metas para a inflação continua efetivo e que, neste contexto, o ideal seria um choque de juros suficientemente forte para compensar os choques que estão ocorrendo nos preços dos ativos.

Os analistas do mercado esperam uma postura mais agressiva do Banco Central como um primeiro passo para manter a credibilidade da política monetária. As expectativas também estão amparadas pelo compromisso assumido pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que afirmou recentemente que a Selic atingiria o nível necessário para ancorar a expectativa da inflação e que não ajustaria a meta para não perder credibilidade. “O Copom tem deixado claro que seu objetivo é cumprir a meta de inflação de 2022, de 3,5% ao ano, e em menor grau, a de 2023”, avalia a Suno Research.

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