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Mercado aposta ‘em apoio com ressalvas’ à Marina

Economistas afirmam que, apesar de ter programa pró-mercado, a candidata ainda não inspira a confiança de que vai implementar as mudanças necessárias

Com discurso e programa de governo amigáveis ao mercado e desempenho cada vez melhor nas pesquisas de intenção de voto, a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, vem conquistando o mercado financeiro. Mas, apesar de ter as propostas na área econômica elogiadas e ser vista agora como uma esperança de mudança mais provável do que o candidato do PSDB, Aécio Neves, a ex-senadora ainda não inspira no mercado a confiança de que vai de fato implementar as mudanças necessárias. Diante dessa incerteza, economistas ouvidos pela Agência Estado avaliam que ainda não é possível prever até quando o bom desempenho da ex-ministra na campanha vai continuar precificando os ativos financeiros.

Para o ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria Integrada, Gustavo Loyola, a precificação dos ativos do mercado tem sido influenciada muito mais pela redução da chance de reeleição da presidente Dilma do que propriamente em razão das propostas apresentadas por Marina. Ele lembra, contudo, que esse comportamento chegará a um limite e é difícil prever até quando o bom desempenho da candidata vai continuar influenciando positivamente os ativos. Apesar de a Tendências Consultoria apostar que, num eventual segundo turno, a ambientalista tem 50% de probabilidade de se eleger contra 40% de chances de Dilma e 10% de Aécio, o economista pondera que é cedo para descartar uma provável vitória do tucano. “Ninguém sabe como virão as próximas pesquisas”, afirma.

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O economista-sênior do Banco Espírito Santo do Brasil, Flávio Serrano, também avalia que, na hora da precificação, a expectativa de mudança do atual governo com o crescimento de Marina nas pesquisas se sobrepõe ao próprio programa de governo mais liberal do PSB, que agrada ao mercado, e às demonstrações de menor rigidez política que a candidata apresenta. “O mercado está colocando preço na expectativa de mudança mais forte porque, na medida em que tem um novo governo, as chances de mudanças são maiores”, explica.

Já estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, avalia que a resposta nos preços dos ativos financeiros é reflexo não só da cada vez maior expectativa de eleição de Marina, mas do próprio programa de governo. Segundo ele, o mercado gostou das propostas apresentadas pela pessebista na última sexta-feira, principalmente a parte de política econômica menos intervencionista. “De certa forma, foi até surpreendente a proposta dela. Achávamos que ela iria ser mais conservadora. Tanto que até o PSDB não está propondo essa independência formal do Banco Central”, ressalta.

(Com Estadão Contéudo)