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Mercado ainda mantém perspectiva de Selic a 9% em 2012

Por Da Redação 30 abr 2012, 11h06

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 30 Abr (Reuters) – O mercado financeiro manteve a previsão de que a Selic permanecerá em 9 por cento ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em maio, com parte dos agentes ainda esperando mais sinalizações do Banco Central sobre os próximos passos e outros apostando em mais cortes da taxa básica de juros.

O Relatório Focus do BC, publicado nesta segunda-feira, foi o primeiro após a divulgação da ata do Copom, na semana passada, que indicou que a autoridade monetária pode continuar reduzindo a taxa básica de juros do país. Os analistas também mantiveram a perspectiva de que a Selic terminará o ano em 9 por cento e fechará 2013 em 10 por cento.

A economista do Santander Tatiana Pinheiro considera que boa parte dos analistas já realizou revisões em suas estimativas, porém não houve tempo hábil para que fossem registradas no sistema do BC, que recebe as informações para a pesquisa Focus.

“No próximo Focus, a mediana (para o final de 2012) deve migrar para algo entre 8,50 e 8 por cento, dado que a autoridade monetária retirou tanto no comunicado quanto na ata a intenção de ficar acima da mínima histórica”, disse ela, referindo-se ao nível de 8,75 por cento da Selic.

Em sua ata da última reunião do Copom, divulgada na semana passada, o BC indicou que deve continuar reduzindo a Selic, embora tenha destacado que qualquer movimento deve ser conduzido com “parcimônia”. No dia 18 passado, o comitê reduziu a taxa em 0,75 ponto percentual, para os atuais 9 por cento ao ano.

Tatiana destacou que a palavra “parcimônia” usada na ata indica uma redução no ritmo do cortes. Com isso, o Santander prevê agora um corte de 0,50 ponto percentual na reunião de maio e outro de 0,25 ponto em julho, com a Selic encerrando o ano em 8,25 por cento.

A tão discutida palavra, entretanto, indica uma estabilidade da taxa de juros para o economista-chefe da consultoria Austin Rating, Alex Agostini, que manteve sua expectativa de que a taxa básica de juros ficará em 9 por cento neste ano.

“Nós entendemos que as reduções param, porque o BC precisa avaliar o efeito de todos os cortes que ocorreram até agora e ainda não surtiram efeito. Também é preciso avaliar como a economia vai responder aos estímulos fiscais concedidos”, disse ele, referindo-se às reduções na Selic desde agosto passado, somando 3,50 pontos percentuais.

O mercado continua atento às decisões do BC em relação à taxa Selic, entre outros, por causa da poupança que, no limite, pode evitar mais cortes na taxa básica de juros.

O Ministério da Fazenda já tem um mix de alternativas para manter a poupança menos atrativa que as aplicações nos fundos de investimento e evitar a migração de recursos. Segundo uma fonte próxima ao assunto ouvida pela Reuters na semana passada, entre elas estavam a possibilidade de reduzir a rentabilidade da poupança, mas mantê-la isenta de Imposto de Renda (IR), ou o contrário: manter a rentabilidade mas passar a tributar os ganhos financeiros a partir de aplicações acima de 50 mil reais.

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O rendimento da poupança é fixado em 0,50 por cento ao mês, mais a variação da Taxa Referencial, mas o aplicador é isento de Imposto de Renda. A queda da Selic pode provocar uma migração dos investidores das aplicações em renda fixa, que são remuneradas pela taxa básica, para a poupança, o que causaria distorções no mercado.

INFLAÇÃO

Para a inflação, as estimativas dentro do Focus apontam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará este ano em 5,12 por cento, ante 5,08 por cento no relatório da semana passada. Para o final de 2013, o mercado também ampliou suas contas para o indicador, passando de 5,50 para 5,53 por cento.

Para o IPCA em 12 meses, as projeções ficaram em 5,53 por cento, contra uma alta de 5,47 por cento na semana passada.

Recentemente, indicadores de inflação mostraram aceleração da alta de preços. Na última semana, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) -considerado uma prévia da inflação oficial- subiu mais do que o esperado em abril, ao acelerar a alta para 0,43 por cento.

Já o Índice de Preços ao Produtor calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) subiu 1,05 por cento em março, após recuo de 0,42 por cento em fevereiro, enquanto que o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), acelerou a alta em abril ao avançar 0,85 por cento, ante variação positiva de 0,43 por cento em março.

CRESCIMENTO

O relatório Focus também mostrou alteração na perspectiva do Produto Interno Bruto (PIB), cuja previsão agora é de encerrar 2012 com crescimento de 3,22 por cento, ante 3,21 por cento na semana passada. Para 2013, a projeção dos agentes consultados elo BC é de crescimento de 4,30 por cento, ante 4,25 por cento no último relatório.

O BC vem repetidamente afirmando que a inflação vai convergir para o centro da meta oficial de 4,5 por cento pelo IPCA no fim do ano.

Na ata publicada na semana passada, o Copom elevou a projeção de inflação para 2012 e 2013 pelo cenário de referência -que leva em consideração o câmbio a 1,85 real e a Selic em 9,75 por cento. Segundo o documento, para este ano a inflação encontra-se “em torno do valor central” da meta do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA. Para 2013, a inflação está “acima” do centro da meta.

Ainda segundo o Focus, a taxa de câmbio prevista no para o fim de 2012 pelo mercado é de 1,80 real por dólar, inalterado ante a semana passada.

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