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Membros do G20 tentam salvar encontro

Ministros e presidentes de BCs se reúnem a portas fechadas em Paris, mas ainda não há acordo

Por Ana Clara Costa, de Paris 19 fev 2011, 09h09

Os ministros das finanças e presidentes de bancos centrais dos países membros do G20 retomaram, na manhã deste sábado, as reuniões do grupo. Após o jantar que deu início ao evento, ocorrido na noite de sexta-feira, as lideranças econômicas chegaram ao Ministério da Economia e das Finanças, em Bercy, ao sul de Paris, sem a menor perspectiva de acordo.

Os temas discutidos ao longo da primeira metade do dia foram áridos: reforma do sistema monetário internacional e preço das commodities. A expectativa é que o grupo evolua para um consenso unicamente em relação à criação de uma cesta de moedas com menos dólares e mais moedas emergentes – controlada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

No que se refere aos preços das commodities, emergentes e desenvolvidos deverão travar um embate. O ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, afirmou na sexta-feira que os países membros do BRIC (Brasil, Rússia, Índica e China) não iriam ceder a uma possível limitação do preço desses itens. Segundo o ministro, tal atitude não atingiria as causas do problema.

“É preciso estimular a produção para equilibrar a demanda. Mexer no preço não resolve o problema”, afirmou Mantega. Assim, a França – principal defensora da ideia – iniciou as reuniões do sábado ciente da impossibilidade de consenso sobre o tema. No jantar de início dos trabalhos, na noite de sexta-feira, uma fonte afirmou à agência France Presse (AFP) que nada havia sido definido.

Às 13h30 deste sábado (10h30 no horário de Brasília), os seminários retomarão, após um breve almoço. O tema que espera os representantes gera tantas desavenças quanto as commodities: trata-se da definição de indicadores econômicos que possam medir desequilíbrios entre países. Entre os indicadores sugeridos, sobretudo por França e Alemanha, estão cinco: saldo de conta corrente, reservas internacionais, dívida pública, taxa de câmbio e poupança privada. O Brasil se posicionou contra as sugestões e defende que a conta de bens e serviços seja levada em consideração como indicador – e deverá manter sua posição ao longo da reunião.

A Alemanha está entre os membros mais otimistas do encontro e acredita que as discussões sobre indicadores poderão evoluir a um consenso. “Estou realmente determinado para que possamos nos alinhar em relação aos indicadores, pois essa seria a melhor forma de combater o mau crescimento”, disse à imprensa o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble. Segundo o ministro, o consenso sobre o tema está tão próximo que sua aplicação poderá ser discutida em abril, durante o encontro de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

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