ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Melhora do IPCA-15 aumenta apostas em corte da Selic na próxima reunião do Copom

Especialistas avaliam que a desaceleração da prévia da inflação fortalece a expectativa de redução dos juros e melhora o ambiente para investimentos

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 jul 2026, 09h50 | Atualizado em 28 jul 2026, 09h53
Melhora do IPCA-15 aumenta apostas em corte da Selic na próxima reunião do Copom Priorizar nos meus resultados Google
Continua após a publicidade

A prévia da inflação oficial do Brasil desacelerou de forma expressiva em julho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,06% no mês, abaixo dos 0,41% registrados em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 28. No acumulado de 12 meses, a inflação recuou de 5,30% para 4,52%, aproximando-se do teto da meta estabelecida pelo Banco Central.

Continua após a publicidade

O resultado veio abaixo das expectativas do mercado e foi impulsionado, principalmente, pela queda dos preços dos alimentos. O grupo Alimentação e Bebidas registrou deflação de 0,66%, revertendo a alta de 0,74% observada no mês anterior. O principal destaque foi a alimentação consumida em casa, que caiu 1,14%.

Na direção contrária, o grupo Habitação avançou 0,97% e exerceu a maior pressão sobre o índice, enquanto Transportes teve alta de 0,11%, influenciada pelo aumento sazonal de 11,70% nas passagens aéreas. Ainda assim, a alta foi parcialmente compensada pela redução dos preços dos combustíveis e de produtos industriais.

Para Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, o dado surpreendeu positivamente ao mostrar uma desaceleração disseminada entre os componentes da inflação. “O principal vetor de alívio veio do grupo Alimentação e Bebidas, que registrou deflação de 0,66%, puxado pela forte queda da alimentação no domicílio. Além disso, indicadores importantes para a política monetária, como os núcleos de inflação e o índice de difusão, também apresentaram melhora relevante”, afirma.

Continua após a publicidade

Segundo o economista, a média dos cinco principais núcleos de inflação recuou de 0,34% para 0,21%, enquanto o índice de difusão caiu de 60,2% para 48,2%, indicando que menos da metade dos itens pesquisados registrou aumento de preços no período.

Apesar da leitura mais favorável, Rondinelli avalia que ainda é cedo para afirmar que a inflação deixou de ser um problema. “O resultado reforça uma melhora qualitativa importante, mas ainda entendemos que o cenário inflacionário permanece pressionado. Mesmo assim, o dado fortalece a expectativa de um corte de juros na próxima reunião do Copom”, explica.

Os efeitos da desaceleração da inflação também podem ser sentidos no mercado de investimentos em startups. Para Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, um ambiente de preços mais controlados aumenta a previsibilidade para gestores e investidores, reduzindo parte das incertezas que afetam as decisões de alocação de capital. “O IPCA-15 mais baixo é uma sinalização positiva para o mercado de venture capital porque aumenta a previsibilidade sobre inflação, juros e custo de capital, três variáveis que pesam diretamente nas decisões de investimento. Para gestores e startups, um ambiente inflacionário mais controlado reduz parte da incerteza na construção de cenários, permite avaliar rodadas e valuations com maior clareza e pode favorecer uma retomada gradual do apetite ao risco”, afirma.

Continua após a publicidade

Segundo Patrus, o chamado “tarifaço” continua sendo um fator de atenção, principalmente pelos possíveis impactos sobre o câmbio e as expectativas econômicas. Ainda assim, ele avalia que a inflação mais comportada reduz o risco de uma transmissão mais intensa desses efeitos para o mercado. “Se essa trajetória de desinflação continuar e as expectativas permanecerem ancoradas, o venture capital pode entrar em um ambiente mais favorável para novos aportes, captação e planejamento de longo prazo. Para o setor, o dado de hoje representa mais previsibilidade e uma perspectiva de menor pressão sobre o custo de capital ao longo dos próximos meses”, conclui.

Continua após a publicidade
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).