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Melhor cidade média do Norte, Vilhena transforma ajuste fiscal em crescimento econômico

Apesar de instabilidade política, Vilhena (RO) lidera ranking de cidades médias do Norte, com economia pujante e gestão fiscal exemplar.

Por Tiago Cordeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 jul 2026, 05h30
Melhor cidade média do Norte, Vilhena transforma ajuste fiscal em crescimento econômico Priorizar nos meus resultados Google

Ao longo da última década, Vilhena teve sete prefeitos — três deles interinos. Perdas de mandato por improbidade administrativa, cassações por abuso de poder político e sucessivas trocas de comando provocaram instabilidade na administração municipal. Nem por isso a cidade perdeu sua importância econômica. Quarta mais populosa de Rondônia, Vilhena ocupa posição estratégica no sul do estado, na divisa com Mato Grosso, e funciona como corredor para o escoamento da produção de grãos e da pecuária. A combinação entre localização privilegiada e dinamismo econômico levou o município a conquistar, na edição de 2026 do ranking de VEJA NEGÓCIOS, o primeiro lugar entre as cidades médias da Região Norte.

A atividade econômica se apoia principalmente no agronegócio, no comércio e no setor de serviços, com destaque para os segmentos de mecânica e reparação de veículos leves e pesados. “A cidade também tem um comércio muito dinâmico, além de ser referência em educação, com grandes universidades públicas e privadas, que ofertam cursos concorridos, como medicina, odontologia e medicina veterinária”, diz Marcos Biazzi, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Vilhena.

O atual prefeito, Flori Cordeiro de Miranda Junior (Podemos), atribui o bom desempenho da cidade nos últimos anos ao ajuste das contas públicas. Quando assumiu o cargo, em 2023, a folha de pagamento consumia uma parcela elevada das receitas e havia preocupação com a sustentabilidade do regime próprio de previdência dos servidores municipais. A resposta foi um programa de contenção de despesas e reorganização fiscal que, segundo o prefeito, permitiu elevar a capacidade de investimento da prefeitura. No fim de 2025, o município destinava o equivalente a 15% de sua receita a novos projetos. “Adotamos uma postura de responsabilidade fiscal, com medidas firmes de controle de despesas e foco em planejamento”, diz Miranda Junior.

A administração municipal atribui parte do avanço econômico à modernização da gestão tributária. Um dos principais instrumentos é o programa Minha Nota Tem Valor, que estimula os consumidores a exigir nota fiscal e busca ampliar a arrecadação do imposto sobre serviços. Com o bem-vindo reforço das receitas, a prefeitura aumentou os investimentos em infraestrutura e apoio à produção agrícola. Na agricultura familiar, cerca de cinquenta máquinas e equipamentos foram comprados e colocados à disposição dos produtores locais, ante apenas três disponíveis até 2023. Na infraestrutura urbana, a administração afirma manter pelo menos 53 obras em andamento e ter destinado aproximadamente 60 milhões de reais para construção, reforma e ampliação de escolas.

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O ajuste fiscal também abriu espaço para a atração de investimentos e a instalação de novas empresas. Na avaliação do prefeito, o crescimento é reforçado pelo papel de Vilhena como polo regional de educação, capaz de atrair estudantes de outras cidades e movimentar o comércio, os serviços e o mercado imobiliário. Os indicadores corroboram esse cenário. De acordo com Biazzi, o município reúne mais de 27 000 empregos formais e cerca de 12 000 empresas ativas, além de registrar saldo positivo na geração anual de vagas. A população também cresceu: desde 2010, o número de habitantes aumentou 26%, segundo levantamento do IBGE. Depois de uma década marcada pela instabilidade política, o desafio agora é transformar o novo ciclo de expansão em ganhos permanentes para a economia e a qualidade de vida da população.

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Publicado em VEJA, julho de 2026, edição VEJA Negócios nº 28

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