Melhor cidade média do Norte, Vilhena transforma ajuste fiscal em crescimento econômico
Apesar de instabilidade política, Vilhena (RO) lidera ranking de cidades médias do Norte, com economia pujante e gestão fiscal exemplar.
Ao longo da última década, Vilhena teve sete prefeitos — três deles interinos. Perdas de mandato por improbidade administrativa, cassações por abuso de poder político e sucessivas trocas de comando provocaram instabilidade na administração municipal. Nem por isso a cidade perdeu sua importância econômica. Quarta mais populosa de Rondônia, Vilhena ocupa posição estratégica no sul do estado, na divisa com Mato Grosso, e funciona como corredor para o escoamento da produção de grãos e da pecuária. A combinação entre localização privilegiada e dinamismo econômico levou o município a conquistar, na edição de 2026 do ranking de VEJA NEGÓCIOS, o primeiro lugar entre as cidades médias da Região Norte.
A atividade econômica se apoia principalmente no agronegócio, no comércio e no setor de serviços, com destaque para os segmentos de mecânica e reparação de veículos leves e pesados. “A cidade também tem um comércio muito dinâmico, além de ser referência em educação, com grandes universidades públicas e privadas, que ofertam cursos concorridos, como medicina, odontologia e medicina veterinária”, diz Marcos Biazzi, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Vilhena.
O atual prefeito, Flori Cordeiro de Miranda Junior (Podemos), atribui o bom desempenho da cidade nos últimos anos ao ajuste das contas públicas. Quando assumiu o cargo, em 2023, a folha de pagamento consumia uma parcela elevada das receitas e havia preocupação com a sustentabilidade do regime próprio de previdência dos servidores municipais. A resposta foi um programa de contenção de despesas e reorganização fiscal que, segundo o prefeito, permitiu elevar a capacidade de investimento da prefeitura. No fim de 2025, o município destinava o equivalente a 15% de sua receita a novos projetos. “Adotamos uma postura de responsabilidade fiscal, com medidas firmes de controle de despesas e foco em planejamento”, diz Miranda Junior.
A administração municipal atribui parte do avanço econômico à modernização da gestão tributária. Um dos principais instrumentos é o programa Minha Nota Tem Valor, que estimula os consumidores a exigir nota fiscal e busca ampliar a arrecadação do imposto sobre serviços. Com o bem-vindo reforço das receitas, a prefeitura aumentou os investimentos em infraestrutura e apoio à produção agrícola. Na agricultura familiar, cerca de cinquenta máquinas e equipamentos foram comprados e colocados à disposição dos produtores locais, ante apenas três disponíveis até 2023. Na infraestrutura urbana, a administração afirma manter pelo menos 53 obras em andamento e ter destinado aproximadamente 60 milhões de reais para construção, reforma e ampliação de escolas.
O ajuste fiscal também abriu espaço para a atração de investimentos e a instalação de novas empresas. Na avaliação do prefeito, o crescimento é reforçado pelo papel de Vilhena como polo regional de educação, capaz de atrair estudantes de outras cidades e movimentar o comércio, os serviços e o mercado imobiliário. Os indicadores corroboram esse cenário. De acordo com Biazzi, o município reúne mais de 27 000 empregos formais e cerca de 12 000 empresas ativas, além de registrar saldo positivo na geração anual de vagas. A população também cresceu: desde 2010, o número de habitantes aumentou 26%, segundo levantamento do IBGE. Depois de uma década marcada pela instabilidade política, o desafio agora é transformar o novo ciclo de expansão em ganhos permanentes para a economia e a qualidade de vida da população.
Publicado em VEJA, julho de 2026, edição VEJA Negócios nº 28







