Medo de um novo tarifaço provoca uma mudança na indústria de café
Associação de café solúvel participou da audiência em Washington
A indústria do café solúvel pode ser uma das atingidas pelo novo tarifaço americano caso o escritório comercial dos Estados Unidos não chegue a um consenso com o Brasil. Esse tipo de café é um dos 4.100 itens exportados pelo Brasil, juntos eles podem trazer um impacto estimado em R$ 77 bilhões nas vendas externas do país.
Hoje teve o segundo e último dia de audiências em Washington antes da decisão do governo americano na quarta-feira da semana que vem, 15 de julho.
O que diz a indústria de café
A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) foi uma das entidades que falaram na segunda-feira na sede do escritório do representante comercial americano, em Washington, em defesa dos produtos brasileiros.
Embora uma tarifa de 25% tenha sido anunciada em junho, o setor teme que, somada a outras cobranças e ao fim de exceções, a carga possa alcançar entre 37,5% e 50%, dependendo do produto.
Prejuízo para os americanos
Representando a Associação, o diretor de Relações Institucionais, Aguinaldo Lima, participou das audiências defendendo que a taxação provocaria prejuízos principalmente para os próprios Estados Unidos.
A estratégia da entidade foi mostrar que o café brasileiro é essencial para abastecer o mercado americano e que a elevação dos custos acabaria sendo repassada ao consumidor final.
Ameaça aos empregos e à logística nos EUA
Segundo Lima, os Estados Unidos não conseguem atender sua demanda sem o fornecimento brasileiro. O executivo destacou ainda que boa parte do café solúvel exportado segue a granel, sendo embalado, distribuído e comercializado em território americano.
Com isso, uma eventual redução das importações afetaria diretamente empresas, operadores logísticos e empregos nos Estados Unidos, e não apenas a indústria brasileira.
Lista de isenções
Há pouca ou nenhuma chance do Brasil não sofrer novo tarifaço, acredita o dirigente, nesse caso a ABICS defende a inclusão do café solúvel na lista de produtos que poderão ficar isentos.
De acordo com Lima, versões aromatizadas do produto ficaram de fora da cobrança, enquanto o café solúvel tradicional acabou incluído, situação que pode ter sido provocada por um equívoco na classificação dos códigos tarifários utilizados na implementação das medidas.
Tarifas de 50% no ano passado
O diretor também lembrou que o setor já enfrentou tarifas de até 50% em um período recente, experiência que provocou uma queda gradual das exportações até atingir redução próxima de 50%.
Na avaliação dele, a repetição desse cenário pode praticamente retirar o Brasil do mercado americano, justamente o maior destino das exportações nacionais de café solúvel.
Debate e entendimento
Apesar da defesa técnica apresentada pela entidade, Aguinaldo Lima reconheceu que a decisão final vai além dos argumentos econômicos.
Para ele, o debate está inserido em uma negociação geopolítica mais ampla entre os dois países, na qual interesses estratégicos acabam influenciando o resultado.
Temor de perder mercado
Enquanto aguarda a definição das autoridades americanas, o setor torce para um entendimento, “os EUA são o nosso maior cliente desde os anos 60, e corresponde a 20% de tudo aquilo que nós exportamos numa lista de mais de 100 países, mas se as tarifas forem criadas podemos perder metade desse mercado”, alerta.
Novos mercados
Lima menciona que a associação já está buscando portas alternativas e que “agora, com o acordo Mercosul e União Europeia isso nos dá também uma válvula de escape”.
Segundo ele, a tarifa de 9% aplicada no bloco será reduzida gradativamente ao longo de quatro anos, mas há um porém “são coisas de mais médio prazo, nunca no curto prazo”, o que aumenta a urgência em resolver a questão tarifária com os americanos.







