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Medidas de estímulo econômico não param, diz Mantega

Por Da Redação 10 nov 2011, 13h19

Por Tiago Pariz

BRASÍLIA (Reuters) – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira que a crise na Europa está se agravando e é preciso que o governo brasileiro esteja sempre tomando medidas para fortalecer a economia do país, ao mesmo tempo mantendo a situação fiscal sólida.

“É preciso que nós estejamos sempre tomando medidas para o fortalecimento da economia brasileira, sobretudo que mantenhamos uma situação fiscal sólida porque os países que estão sofrendo…têm situação fiscal frágil”, afirmou ele durante evento em Brasília.

Ao ser questionado se o governo avalia a possibilidade de retirar algumas medidas macroprudenciais adotadas antes do agravamento da crise, Mantega evitou comprometer-se com uma decisão dizendo que depois de a economia ter se desacelerado, ela voltará a se acelerar nos próxios meses.

“Nós estamos indo bem aqui no Brasil. Tivemos uma desaceleração da economia… mas a economia tende a se acelerar no final do ano, com o pagamento de 13o (salário). E portanto, nós deveremos estar numa fase de recuperação em novembro e dezembro, caminhando em 2012 para uma taxa de crescimento maior que em 2011 mesmo com agravamento da crise internacional”, afirmou ele.

Ao ser questionado novamente sobre a possibilidade de haver reversão das medidas macroprudenciais, Mantega evitou responder.

O governo brasileiro, segundo uma fonte da equipe econômica, analisa a possibilidade de se retirar pelo menos parte das medidas macroprudenciais. Elas, entre outros, atingiram e limitaram as linhas de crédito de longo prazo.

Ainda não há decisão sobre isso, mas o objetivo seria evitar falta de liquidez nos mercados de crédito e, consequentemente, afetar o crescimento econômico.

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Mantega afirmou ainda que é preciso manter o dinamismo do mercado interno, que tem sido o responsável por garantir o crescimento da economia.

“O Brasil não vai ter década perdida porque temos condições de reagir e de neutralizar os resultados dessa crise”, afirmou ele.

Mantega voltou a cobrar que o Congresso não aprove aumentos de gasto, como reajuste de aposentados que ganham mais do que o salário mínimo e dos vencimentos do Judiciário.

“Temos que evitar gastos excepcionais. Não podemos permitir aumento de gastos para qualquer setor nesse momento”, afirmou.

CRISE INTERNACIOANL PIOR

Para Mantega, os problemas na Europa estão se agravando e ressaltou que o mundo pode ter problemas de baixo crescimento. Para ele, a crise internacional é de “difícil solução.”

Mesmo assim, o ministro disse que a Europa tem os instrumentos para sair das turbulências e deveria usar o Banco Central Europeu (BCE) de forma mais “ativa”, como “emprestador de última instância.”

“Ao invés de solucionar, os problemas estão sendo agravados. Eles vão conseguir acabar resolvendo essa crise, mas também devemos estar preparados para que tenhamos problema de baixo crescimento mundial ao longo de muitos anos”, afirmou ele.

A União Europeia, que já ofereceu ajuda financeira a Grécia, Portugal e Irlanda, enfrenta agora a desconfiança do mercado sobre a Itália, terceira maior economia da zona do euro e considerada grande demais para ser socorrida.

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