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Medida da Petrobras infla saldo comercial em US$ 6 bi

Superávit comercial poderia ter recuo de 55,2% este ano, em vez dos 31,6% divulgados pelo governo na última semana, se todas as importações brasileiras de petróleo e derivados fossem consideradas no cálculo entre janeiro e outubro

As importações brasileiras estão subestimadas em cerca de 6 bilhões de dólares este ano por causa de compras de petróleo e derivados realizadas pela Petrobras que ainda não foram contabilizadas na balança comercial. A discrepância ajuda a melhorar o superávit do país, que vem sendo duramente afetado pela crise global.

Se essas importações já tivessem sido computadas, o saldo comercial estaria em 11,4 bilhões de dólares, em vez dos 17,4 bilhões de dólares apurados de janeiro a outubro. No período, o superávit registra recuo de 31,6% em relação ao ano passado. Sem a “ajuda” do petróleo, essa queda poderia chegar a 55,2%.

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Uma comparação entre os dados do balanço da Petrobras e os registros da balança comercial mostra o tamanho do descompasso. A quantidade de petróleo e derivados importada cresceu 13,5% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre, conforme o balanço da estatal, mas recuou 38,8% segundo a Secretaria de Comércio e Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento. Exclusivamente na gasolina, a diferença é maior: alta de 90% segundo a Petrobras e queda de 35,8% pela Secex.

Com a produção estagnada, a Petrobras tem recorrido crescentemente às importações para fazer frente ao aumento do consumo de combustíveis no país, resultado de reduções de tributos para estimular a venda de carros. De janeiro a outubro, foram licenciados 3,13 milhão de veículos novos, alta 5,7% em relação ao mesmo período de 2011.

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Apesar dessa situação, os dados do ministério mostram que a importação de petróleo e derivados caiu de 12 milhões de toneladas no segundo trimestre para 7,38 milhões no terceiro. Se o ritmo de alta registrado pela Petrobras no período (13,5%) tivesse sido o mesmo nas estatísticas do governo, o país deveria ter importado 13,69 milhões de toneladas no terceiro trimestre.

Por essas contas, não teriam sido computadas 6,3 milhões de toneladas que, ao preço médio do terceiro trimestre, equivalem a 4,67 bilhões de dólares. Ainda não há dados públicos da Petrobras para outubro, mas mantido patamar equivalente de discrepância do mês passado, a perda sobe para 6,2 bilhões de dólares.

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(com Estadão Conteúdo)