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“Matriz energética do Brasil deve ser vantagem competitiva, não um ônus”, diz líder da Dow

Em entrevista ao VEJA+Verde, Mariana Orsini detalha a estratégia de descarbonização e economia circular da empresa química

Por Redação 6 ago 2026, 17h18
“Matriz energética do Brasil deve ser vantagem competitiva, não um ônus”, diz líder da Dow Priorizar nos meus resultados Google

A Dow, terceira maior empresa química do mundo, mantém no Brasil operações industriais voltadas à produção de materiais para embalagens, infraestrutura, consumo e mobilidade. Em entrevista ao programa VEJA+Verde, Mariana Orsini, líder regional da Dow no Brasil, detalhou os avanços da empresa rumo à descarbonização e explicou o caminho percorrido para que hoje 100% da energia usada nas operações da Dow no país venha de fontes renováveis, além de explicar a nova abordagem da empresa na área de embalagens recicláveis.

Segundo Orsini, a Dow estabelece metas de sustentabilidade de dez em dez anos desde 1995, quando a companhia começou a mapear a própria pegada de carbono. Numa segunda etapa, entre 2005 e 2015, o foco passou a ser o impacto ambiental dos produtos; na terceira, encerrada no ano passado, a prioridade foi construir diálogo com diferentes públicos — governos, comunidades e clientes — para avançar a agenda ambiental. “Hoje, podemos dizer com muito orgulho que 100% da energia de todas as operações da Dow no Brasil vem de fontes renováveis”, afirma a executiva, que credita o resultado tanto aos investimentos da empresa em energia solar e eólica quanto à matriz elétrica brasileira, já majoritariamente limpa.

A companhia também avança na descarbonização de seus processos industriais. Além de investir na geração de vapor a partir de cavaco de madeira — fonte renovável usada para aquecer reações químicas —, a Dow anunciou recentemente uma planta de polietileno no Canadá considerada a primeira do mundo neutra em carbono nos chamados escopos 1 e 2, que correspondem às emissões diretas da própria operação da empresa (o escopo 3, mais amplo, abrange as emissões de fornecedores e matérias-primas). O projeto envolve eletrificação de crackers, uso de gás natural e captura de carbono.

Na frente da reciclagem, Orsini lembra que o Brasil foi pioneiro ao reconhecer, desde 2010, as cooperativas de catadores como parte formal da cadeia produtiva de resíduos sólidos — um avanço que ela considera “sem precedentes no mundo”. A Dow desenvolve há anos o projeto Reciclagem que Transforma, que oferece educação e equipamentos de proteção a cooperativas para garantir o fornecimento de resina plástica pós-consumo com qualidade. “Um catador que integra uma das cooperativas parceiras da empresa costuma dizer que não se enxerga como catador, mas como agente ambiental”, conta a executiva, ao descrever a mudança de percepção que a companhia busca incentivar. Ainda segundo ela, apenas 9% do plástico é reciclado no mundo, e a mudança de comportamento das próprias marcas é decisiva: “Antes, a demanda dos nossos clientes era fazer uma quantidade maior de produtos com menos material. Hoje, a demanda é ter um produto que seja circular.”

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Questionada sobre o potencial de um mercado regulado de carbono no Brasil, Mariana Orsini defende que a matriz de emissões do país — concentrada no uso da terra, e não na indústria ou na energia, como na maior parte do mundo — deveria se tornar uma vantagem competitiva, e não um ônus adicional para o setor produtivo. “A indústria não pode ser punida por produzir no país. Precisamos construir um diálogo que permita comparar a pegada de carbono da produção local com a dos produtos importados”, diz. 

Apesar de o Brasil não figurar entre os dez países mais competitivos em custo de matéria-prima e logística para a indústria química, a executiva aposta na biodiversidade brasileira, na segurança energética e na recém-aprovada reforma tributária como fatores capazes de atrair novos investimentos. “Se continuarmos esse diálogo construtivo, acredito que o Brasil pode, sim, ser um dos principais locais de produção do futuro”, afirma.

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Formada em relações internacionais pela FAAP, Mariana começou a carreira no setor público, atuando nessa área na assessoria internacional do governo do estado de São Paulo e, depois, na prefeitura da capital. Após sete anos no poder público, ela decidiu migrar para a diplomacia corporativa e ingressou na Dow em 2011, numa vaga para assuntos governamentais. Desde então, acumulou funções em comunicação corporativa e relações institucionais até assumir a posição atual.

O VEJA+Verde, conduzido pelo editor Diogo Schelp, traz empresários, personalidades, gestores públicos e especialistas para apresentar suas visões e soluções sobre um dos maiores desafios para a sobrevivência da humanidade: conciliar desenvolvimento econômico e social com preservação do meio ambiente. O programa pode ser assistido toda quinta-feira, às 17h, nos canais Samsung TV Plus canal 2059, LG Channels canal 126, TCL Channel 10031 e Roku 221, além de estar disponível no YouTube de VEJA.

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