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Marisa ampliará fatia de produtos mais rentáveis

Por Rodrigo Petry

São Paulo – A rede varejista Marisa quer ampliar o mix de produtos mais rentáveis nas lojas, como forma de aumentar a venda por metro quadrado. Uma das iniciativas será a inclusão de calçados nas áreas de vendas a partir do segundo semestre de 2012. Os testes, porém, vão começar antes em algumas lojas de rua e também em algumas de shopping centers. “Enxergamos oportunidades de aumento das vendas por metro quadrado”, disse hoje o presidente da companhia, Marcio Goldfarb, durante reunião pública com analistas e investidores na sede da empresa, em São Paulo.

Segundo o diretor de compras da Marisa, Roberto Sampaio, a inclusão dos calçados faz parte do projeto de reavaliação e substituição do mix de produtos das lojas por itens mais rentáveis e com maior valor agregado. Ele destacou que os calçados podem apresentar o dobro do preço médio dos demais produtos comercializados nas lojas, ocupando a mesma estrutura física dos pontos de venda. “Podemos usar os calçados para reduzir a participação das categorias com pior performance”, disse.

Dentro das lojas do modelo Lingerie, que ocupam área média entre 150 e 350 metros quadrados, Sampaio ressaltou que a empresa estuda agregar um mix de confecções. “Numa área de 200 metros quadrados conseguimos inserir o sortimento completo de lingerie, o que nos possibilita ampliar o mix para outros produtos, elevando a venda por metro quadrado”, disse, citando como exemplo os segmentos de fitness, moda praia e malharia.

Sampaio ponderou que a intenção não é mudar o foco da empresa. “Vamos avaliar loja por loja quais são as categorias com melhores vendas, para aumentar sua participação. Buscamos adequar os produtos, com os melhores preços médios, nas lojas”, destacou. Segundo ele, o aumento do poder de compra da classe C vem obrigando a varejista a alterar o sortimento de produtos, “pela maior exigência” das consumidoras.

Despesas

Goldfarb anunciou também um plano para redução de despesas com vendas, gerais e administrativas, que deve eliminar gastos em aproximadamente R$ 52 milhões ao longo de 2012. Cerca de 30% desses cortes devem vir da adequação na estrutura de pessoal, 30%, da revisão e otimização de processos, 25%, das reduções de despesas administrativas e 20%, das sinergias entre as áreas. A demissão de 239 funcionários da área administrativa recentemente faz parte do processo. Esses desligamentos devem gerar gastos não recorrentes entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões no quarto trimestre.

O presidente da companhia destacou que a empresa vem sentindo sinais de desaceleração nas vendas neste final de ano. Segundo ele, nos meses de outubro, novembro e primeiros dias de dezembro, as vendas no conceito mesmas lojas apresentam um crescimento positivo, mas na faixa “de um dígito pequeno”.

A desaceleração das vendas da companhia se acentuou no terceiro trimestre deste ano, quando no conceito mesmas lojas a receita avançou 6,9%, segundo relatório de administração que acompanhou o balanço. Como comparação, no primeiro semestre deste ano, a receita líquida em vendas mesmas lojas cresceu 11% sobre igual intervalo de 2010.

Sobre os planos de investimentos para 2012, a empresa informou que está encerrando o planejamento estratégico e que o orçamento não foi fechado. A empresa antecipou que já conta com 19 lojas contratadas, a maioria em shopping centers. A expectativa da empresa é de que o cronograma para a abertura de lojas em 2012 seja finalizado até o mês de janeiro.

Para o ano que vem, a varejista aposta no reajuste do salário mínimo, a partir de janeiro, para alavancar as vendas. “Esperamos que 2012 seja melhor. Um ano mais forte, que pode nos surpreender e melhorar nossos resultados”, disse o diretor de relações com investidores da empresa, Paulo Borsatto.