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Mantega tenta desconversar sobre reajuste da gasolina

Durante a apresentação da proposta de Orçamento, o ministro disse ainda que a alta dos combustíveis não está associada diretamente à subida do dólar

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, desconversou sobre um eventual anúncio de reajuste dos combustíveis no curto prazo. Após ser questionado por jornalistas nesta quinta-feira em entrevista para explicar a proposta de Orçamento para 2014, ele deu uma resposta que, como de praxe, não explica nada. “Agora não estou anunciando nem que vai ter (reajuste), nem que não vai ter. Muito pelo contrário”, afirmou o ministro.

Segundo o ministro, a Petrobras tem capacidade de manter os investimentos elevados, independentemente da tarifa dos combustíveis. “Essa questão não se coloca aqui na discussão. É alheia à tarifa. A Petrobras sempre terá recursos suficientes para bancar a política de investimento.” Mantega disse ainda que a Petrobras “segue sua política normal de reajustes periódicos”, mas que tal política não está sujeita à variação brusca do câmbio, como ocorre atualmente, afirmou o ministro.

Mantega afirmou que o reajuste dos combustíveis não se pauta pela evolução do câmbio. “São dissociados”. Segundo ele, não “se coloca” um reajuste do preços com base no câmbio, que está em alta volatilidade. “Não se contingencia a economia com essa volatilidade”, repetiu.

O ministro pode até ter razão ao não querer tomar decisões importantes ante um comportamento cambial muito volátil, mas não é só o dólar alto que impacta os resultados da empresa. O preço do barril de petróleo tem subido sucessivamente, sobretudo após as ameaças de conflito militar na Síria. Na quarta-feira, o barril do Brent fechou em alta de quase 2%, a 116,31 dólares. Como nenhum desses aumentos (nem dólar, tampouco o barril) está sendo repassado ao consumidor, são, obrigatoriamente, absorvidos pela Petrobras. Como resultado, segundo análise do Itaú Unibanco, a estatal vai aumentar em 900 milhões de reais por mês seus gastos com importação de combustível, caso não haja repasse de preços.

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(com Estadão Conteúdo)