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Mantega não confirma reajuste de 5% da gasolina em 2013

Segundo ministro, decisão sobre aumento do preço segue nas mãos da diretoria da Petrobras

Questionado por jornalistas sobre a decisão do governo de reajustar a gasolina, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, desconversou e não quis dar detalhes sobre quando virá o aumento. O ministro tampouco quis comentar a informação divulgada pelo Banco Central no Relatório Trimestral de Inflação desta segunda-feira, estimando um aumento de 5% para o preço da gasolina até o final do ano. “Não mudou nada o método de correção do preço da gasolina. O reajuste é feito todos os anos com base em critérios adotados pela diretoria da Petrobras”, disse o ministro.

Segundo o relatório do BC, como a alta do combustível no ano já soma 2,15%, há ainda espaço para aumento de 2,85 pontos porcentuais. Mantega falou à imprensa, nesta segunda, durante o Exame Fórum – evento organizado por EXAME, do grupo Abril, o mesmo que publica VEJA.

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Ainda sobre a Petrobras, o ministro disse que a produção da petroleira deve se recuperar em breve, devido ao fim de um período de parada para manutenção. Segundo ele, essas pausas prejudicaram a produção e tiveram impacto negativo na balança comercial brasileira. “Não nos enganemos com o resultado da balança comercial, que está sendo poluído pelos dados da conta petróleo. É um problema específico, com queda de produção. Isso é circunstancial.”

Mantega acredita que até 2020 a petroleira deve dobrar a média diária de produção, dos atuais 2 milhões de barris por dia, para 4 milhões de barris diários.

Mantega afirmou ainda que a redução de custos citada por ele na palestra, como forma de aumentar a competitividade de empresas brasileiras, nada tem a ver com o reajuste de combustíveis. “Reduzir custos não é subir preços de combustíveis, mas a redução de energia, tributária, é importante para aumentar o comércio externo.”

Indagado se a alta dos combustíveis teria sido discutida na recente reunião do conselho da Petrobras, o ministro desconversou: “Não podemos dizer o que discutimos nas reuniões do Conselho da Petrobras”.

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Concessões – Mantega também voltou a reforçar a importância das concessões para o crescimento econômico. Segundo o ministro, “as coisas já estão acontecendo” ao se referir ao calendário de concessões. Ele destacou o leilão dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Viracopos, realizados no ano passado e disse que “os três estão indo muito bem”.

Mantega disse que estão previstos mais quatro leilões de rodovias para este ano, dois de ferrovias, o leilão de Libra e dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Confins, em Belo Horizonte.

Ele voltou a afirmar o discurso adotado pelo governo de que foram criadas medidas para “garantir” a atratividade ao investidor e a concorrência do processo licitatório. Sobre o evento realizado na última semana com investidores do Goldman Sachs, em Nova York, Mantega disse que que há “apetite pelo Brasil”. “Os investidores externos estão interessados em vir para o país, mesmo porque o mundo continua complicado”, disse em referência à crise internacional.

Sobre o Leilão de Libra, o ministro se mostrou entusiasmado e afirmou que “grandes petroleiras mostraram interesse”, esquivando-se do fato de quatro gigantes não terem se inscrito no edital do leilão de Libra: BP, BG, Exxon e Chevron.

Mantega disse que Libra vai garantir 275 bilhões de reais de investimentos ao longo de trinta anos. “Com certeza vai haver um consórcio vencedor e, com isso, terão de ser compradas de doze a catorze plataformas de exploração, isso movimenta a indústria naval”.

Segundo o ministro, o mais difícil de solucionar nesse pacote de concessões são as rodovias. “Mas nós já estamos ajustando o modelo”. Sobre o fiasco do leilão da BR-262, para o qual não houve inscritos, Mantega disse que era um caso particular, porque a rodovia não é de grande movimentação. “Nós estamos pensando no que vamos fazer com a BR-262, pode ser uma PPP ou algum tipo de parceria”, disse. “É preciso esclarecer todas as dúvidas, para que não fique nenhuma.”

Mantega citou ainda os leilões de energia “que não costumam ser citados” e lembrou dos leilões de portos para este ano, que devem render 15 bilhões de reais. Ele acredita que esses investimentos já serão realizados para o próximo ano. “O PIB será puxado por investimento e isso vai acontecer ao longo do tempo”, disse.

Leilões do BC – Depois de sido desmentido pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na semana passada, sobre o fim dos leilões de contratos de swap cambial do BC, Mantega voltou a comentar o assunto. “É um programa bem acertado que pode ser flexibilizado de acordo com as necessidades. O importante é que o BC disse que tem 60 bilhões de dólares para colocar no mercado e isso ajudou a baixar o câmbio, que estava em 2,45 reais.” O ministro acredita que ao passo que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) deixar mais clara sua política, o dólar vai baixar ainda mais. “Não podemos dizer que a oscilação acabou, ela só teve uma acalmada. Com dólar a 2,45 eu me preocupava, mas com o dólar a 2,23 reais a preocupação já é menor”, disse.