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Mantega está mais otimista do que os dados permitem

Após anunciar o ‘pibinho’ de 0,9% no ano passado, ministro da Fazenda afirma que economia brasileira está em aceleração com a melhora do cenário externo; o PIB pode crescer até 4% este ano, segundo ele

Por Da Redação - 1 mar 2013, 12h37

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente Dilma Rousseff encontraram-se na noite de quinta-feira para debater o fraco desempenho da economia brasileira no ano passado. Apesar de os dados oficias terem sido liberados apenas na manhã desta sexta-feira, Mantega afirmou que o resultado já não era novidade para ninguém – inclusive para a presidente, que cobrou da equipe econômica do governo um desempenho melhor a partir deste ano. O ‘pibinho’ de 0,9% confirmado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, segundo o ministro, é culpa do cenário externo. “O desempenho da economia, em momentos de crise, é fraco”, reforçou. “A crise toda foi produzida lá fora e a resposta do Brasil foi boa.”

O ministro tentou ficar imune às críticas pelo pífio desempenho da economia nos dois primeiro anos do atual governo. Desde o segundo governo de Getúlio Vargas, em 1951, a média de crescimento do biênio inicial de Dilma Rousseff só é melhor que o mesmo período de Fernando Collor de Mello, quando a economia brasileira estava em recessão. Para se defender, Mantega afirma que não é correto fazer comparação com o passado, principalmente porque desde 2003 os governos Lula e Dilma elevaram o patamar de crescimento médio da economia brasileira. “Criamos condições para que o crescimento volte ao patamar de 4%”, reforçou.

Bons ventos – Mantega demonstrou otimismo – em alguns momentos exagerado – com a situação atual da economia brasileira. Para ele, os dados preliminares do primeiro trimestre mostram um nível de atividade em recuperação, repetindo o desempenho do quarto trimestre. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,62% do terceiro para o quarto trimestre de 2012. O ministro espremeu os dados e reforçou que as vendas no varejo continuam em alta. O consumo foi o modelo de crescimento escolhido pelo governo para empurrar a expansão da economia brasileira nos últimos anos, mas a estratégia parece mostrar sinais de esgotamento. No segundo semestre do ano passado, houve uma perda constante no indicador, que teve retração de 0,5% em dezembro ante novembro. Mesmo assim, fechou em 8,4% no ano, segundo o IBGE. Mas, como no início do ano passado, quando previu um crescimento robusto, o tal “pibão” que a presidente Dilma tanto cobra, Mantega repetiu o discurso agora. “O crescimento para este ano ficará entre 3 e 4%”, afirmou.

Para o consumidor, porém, a situação é oposta. O Índice de Confiança do Consumidor, da FGV, caiu pelo quinto mês consecutivo em fevereiro. Analistas do mercado financeiro e economistas também estão reticentes. A expectativa é de que o Copom promova uma alta na taxa Selic na reunião de abril. O juro básico da economia brasileira está em 7,25% ao ano. Além disso, a inflação é uma incógnita. Pressionada pelos preços, acumula 6,15% em 12 meses e tem dado sinais de resistência à queda. Na última pesquisa Focus, que apresenta a média de todas as projeções do mercado financeiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano caiu para 5,69%. No entanto, alguns analistas mantém o pessimismo em seus relatórios individuais e confirmam a previsão de inflação em 6,2% no final deste ano.

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Investimentos – A grande aposta de Mantega é na recuperação das taxas de investimento, que apresentaram forte queda no ano passado. Um primeiro sinal de recuperação, segundo ele, é o desempenho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no primeiro bimestre. Nesta semana, Luciano Coutinho, presidente do BNDES, disse em Nova York que os desembolsos superaram a expectativa nos dois primeiros meses do ano. “Estamos criando mecanismos para os bancos privados participarem junto com os bancos públicos do aumento do crédito para investimentos no país”, garantiu Mantega.

Para conseguir elevar novamente a Formação Bruta de Capital Fixo, que no ano passado recuou 4% com a queda na produção interna de máquinas e equipamentos, Mantega formou uma blitz para atrair investimentos privados para o setor de infraestrutura. Nos últimos dias, o ministro e uma comitiva oficial participaram de viagens para a Europa e os Estados Unidos para atrair o capital estrangeiro para a concessão de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias. “Estamos oferecendo uma demanda garantida para o investimento no Brasil, com uma série de regras favoráveis”, afirmou Mantega. “As taxas são elevadas e vamos atrair primeiro os investidores brasileiros e depois os internacionais.” No entanto, o site de VEJA apurou que o governo modificou a comunicação das taxas de retorno para os investimentos em infraestrutura sem alterar o retorno.

Média do PIB dos dois primeiros anos de Dilma é o 2º pior em 60 anos

A média de crescimento da economia nos dois primeiros anos da presidente Dilma é a segunda pior desde o segundo governo de Getúlio Vargas, em 1951. Somente Fernando Collor levou o PIB a patamares mais baixos

Obs: A média de crescimento do PIB refere-se à soma das porcentagens de crescimento dos dois primeiros anos de cada governo

Fonte: Ipeadata Elaboração e projeção: MB Associados

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