Mantega diz que pode haver novos estímulos à economia

Ministro da Fazenda, Guido Mantega, já prevê queda da inflação e avalia que haverá espaço para novos incentivos

Por Da Redação - 25 out 2011, 17h01

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, acenou nesta terça-feira com outras medidas de estímulo da economia. “Se a inflação for reduzida, como estamos vendo, teremos espaço para novos estímulos para a economia”, disse.

Sem citar números, o ministro disse ainda que a economia brasileira vai crescer em 2012 e nos próximos anos mais do que neste ano. “O nível de emprego continua crescendo”, disse.

Mantega avaliou que o país vive hoje um cenário melhor de câmbio e de inflação, além de contar com uma política monetária mais favorável. Ele destacou também que as taxas de juros no mercado futuro estão mais baixas. “O mercado está trabalhando com taxas decrescentes de juros”, disse ao comentar a política monetária. “Vamos ter queda da inflação”, acrescentou. Nesta semana, pesquisa Focus, do Banco Central, mostrou que o mercado voltou a apostar que o IPCA (índice oficial de inflação) fechará 2011 dentro da meta, que é de 4,5%, com dois pontos porcentuais de tolerância para cima ou para baixo.

O ministro da Fazenda destacou que a inflação pressionou “um pouco” e o governo teve de tomar medidas para desacelerar a economia. “Não precisaremos mais dessas medidas”, afirmou. Ele destacou ainda que, se crise internacional piorar, os preços das commodities vão diminuir e pressionar menos a inflação.

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Ele disse ainda o atual cenário de câmbio está mais favorável à indústria nacional. O dólar está na casa de 1,75 real.

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Poupança – Mantega comentou ainda que o governo não estuda mudar a fórmula de cálculo da poupança, hoje de 0,5 por cento ao mês mais a variação da Taxa Referencial (TR). Notícia do jornal Valor Econômico nesta quarta-feira informou que o governo poderia mudar esse cálculo, atrelando o rendimento da poupança à Selic — hoje em 11,50 por cento ao ano.

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Europa – Os países europeus não precisam de recursos brasileiros para a compra de bônus, a fim de enfrentar a crise na região, avaliou o ministro. Mantega também afirmou que espera uma solução no encontro desta quarta-feira entre os líderes da zona do euro, que vão buscar saídas para as turbulências. Entre outras medidas, os líderes devem tratar de eventual reforço no Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em inglês).

“Acredito que os países europeus não precisam de recursos brasileiros para comprar bônus e o Brasil não está pensando nisso. Eu acredito que eles conseguirão apresentar soluções dentro dos instrumentos que possuem” afirmou Mantega a jornalistas. “Tem que encontrar soluções para os problemas europeus dentro da própria Europa.”

O ministro também voltou a afirmar que uma ajuda via Fundo Monetário Internacional (FMI) poderia vir desde que respeitadas as reformas aprovadas em 2010, que elevaram a participação dos emergentes no Fundo, com mais cotas. Essa maior fatia, no entanto, ainda não saiu do papel, o que deve ocorrer em 2012, quando os recursos aportados serão efetivamente utilizados. O Brasil entrou com 14 bilhões de dólares. “Ou seja, via cotas do Fundo Monetário e não de outra maneira, transformando uma parte dos recursos do NAB (Novos Mecanismos de Empréstimos) em recursos oficias”, acrescentou.

Mantega procurou mostrar otimismo sobre a cúpula europeia desta quarta. “Estamos confiantes que eles virão com soluções de envergadura que possam dar resposta para os problemas da Grécia, dos bancos europeus e dos problemas de dívida soberana de países que estão ali e podem ser afetados”, acrescentou.

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(com Reuters e Agência Estado)

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