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Mantega critica resistência de Europa e EUA em frear reforma do FMI

Em assembleia do fundo, ministro brasileiro defende maior peso dos países emergentes nas decisões da instituição

Por Da Redação - 20 abr 2013, 15h56

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou neste sábado que Estados Unidos e Europa jogam com a “legitimidade e credibilidade” do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao frear a reforma que dá mais peso aos países emergentes no organismo, que deveria ter sido completada em outubro passado. “O obstáculo para a entrada em vigor da reforma de 2010 foi o atraso na ratificação por parte do Congresso dos Estados Unidos”, disse Mantega, em assembleia conjunta do FMI e do Banco Mundial.

Mantega acrescentou que, no caso da revisão da fórmula de cotas, que outorga a cada país um peso específico no fundo, o principal obstáculo é a resistência dos países europeus, que têm peso excessivo devido sua contribuição atual à economia mundial.

Segundo ele, a estrutura de poder do FMI reflete ainda, em grande parte, o mundo existente no final da Segunda Guerra Mundial, quando se criou o organismo multilateral. Por isso, o FMI ficou defasado ao não reconhecer o protagonismo de forças emergentes, como China, Índia ou Brasil. “Os países europeus têm um peso excessivo na instituição e parecem extremamente reticentes a ajustar seu poder de voto às mudanças na economia mundial”, afirmou.

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O ministro lembrou que até pouco tempo os Estados Unidos tinham um “papel construtivo” na reforma do FMI, mas agora freiam sua continuidade. Ele também lembrou que, após a explosão da crise nos países desenvolvidos de 2008, mudanças significativas aconteceram na estrutura política mundial, e que o G20 substituiu o G7 como fórum de cooperação econômica internacional.

Após esta mudança, o G20 deu sinal verde a um processo para aumentar os recursos disponíveis do FMI. “Esses acordos de empréstimos se negociaram em troca de ajustes que permitissem um reajuste do poder de voto na instituição, mas esse acordo político não foi respeitado”. O brasileiro ainda acrescentou que “os países emergentes fizeram sua parte, enquanto os demais ainda têm que fazer a sua”.

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A assembleia do FMI e do Banco Mundial termina neste sábado. Mais de 200 ministros de finanças e presidentes de bancos centrais de todo o planeta participaram do encontro.

EUA querem manter liderança – O secretário do Tesouro americano, Jack Lew, afirmou durante uma audiência recente no Congresso, que aos Estados Unidos, o principal acionista do fundo, interessa manter sua liderança na instituição financeira multilateral.

Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu ao Congresso que dê sinal verde na liberação de 63 bilhões de dólares, que seriam destinados ao fundo de crise do FMI, para aumentar de forma permanente o financiamento dos Estados Unidos ao organismo.

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(com EFE)

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