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Mantega confirma expectativa de PIB de 4,5% para 2012

Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o Brasil será um dos poucos países do mundo a crescer mais neste ano que no ano passado

Por Luciana Marques - 23 jan 2012, 20h25

Em apresentação na primeira reunião ministerial do ano, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fixou em 4,5% a meta de crescimento da economia brasileira para este ano. “Devemos encerrar 2011 com 3%, 3% e pouco e, para 2012, almejamos alcançar os 4,5%”, afirmou durante entrevista coletiva após o encontro.

Mantega destacou à presidente Dilma Rousseff e aos outros ministros que o Brasil será um dos poucos países do mundo a crescer mais em 2012 que no ano passado, mesmo com as condições desfavoráveis da economia internacional. O PIB de 2011 será conhecido apenas em 6 de março, quando está prevista a divulgação dos dados trimestrais das contas nacionais pelo IBGE.

Metas otimistas – Ainda que 4,5% seja o valor central a nortear as políticas do governo, ele explicou que as metas podem variar a depender do cenário externo. “Se a economia internacional se comportar adequadamente, sem grandes surpresas, e se recuperar, podemos tentar buscar 5%. Se a economia internacional se agravar, podemos ter 4%”, explicou.

Segundo o ministro, é preciso manter as taxas de crescimento elevadas no Brasil. Entre as forças propulsoras para essa expansão, destacou Mantega, está a distribuição de renda, que precisa ser ainda maior. “Hoje, a população dispõe de um grande volume de bens e serviços”, disse. “A classe E está em extinção e se incorporando às classes D e C”, considerou.

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Ele admitiu que o Brasil terá de enfrentar um cenário internacional adverso “pela frente”, já que a economia externa está numa situação pior neste ano do que esteve no passado. Para 2012, a expectativa de crescimento mundial é de 3% contra 4% no ano anterior. “Mesmo assim, o Brasil reúne condições para superar essas dificuldades e acelerar seu crescimento”, disse. “O Brasil é uma das economias mais dinâmicas no cenário externo”, destacou.

Projeções de mercado – Seja qual for a meta final do governo para o PIB de 2012, ela estará acima das previsões independentes. O mercado financeira trabalha com uma projeção modesta de 2,87%, segundo o boletim Focus do Banco Central. Já a Organização das Nações Unidas (ONU) espera uma expansão de apenas 2,7% para o PIB do Brasil neste ano.

Isso pode significar que o governo venha a entrar com estímulos mais pesados que o esperado de início, especialmente se a crise da zona do euro piorar ou se a economia da China desacelerar consideravelmente. Os estímulos podem, por consequência, fazer o Brasil descumprir a meta de superávit primário de 3,1% do PIB no fim do ano.

O ministro da Fazenda, no entanto, descartou qualquer afrouxamento na área fiscal. “Tudo isso vai ser mantido com uma política fiscal sólida, que vai continuar. Vamos atrás do primário cheio em 2012; e isso significa controle de gastos de custeio”, garantiu. Haverá neste ano, portanto, assim como em 2011, contingenciamento nos gastos do governo, lembrou o ministro. O valor será definido em meados de fevereiro.

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Investimento – O contingenciamento de recursos não implicará, de acordo com Mantega, a penalização do investimento. “O corte será aquele necessário para viabilizar o superávit primário de 3,1% cheio. (…) Não é um ajuste fiscal, que corta investimento”, acrescentou. O enxugamento das despesas de custeio, aliás, visa abrir espaço para que o governo invista. “O PAC vai ter mais de 40 bilhões de reais”, destacou. O mesmo valor será destinado ao programa Minha Casa, Minha Vida.

O governo federal almeja chegar a 2014 com uma taxa de investimento de 24%, destacou. “A prioridade máxima do governo é dinamizar investimento. E 2012 será de aumento do investimento”, reafirmou Mantega.

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Câmbio – O ministro da Fazenda voltou a afirmar que o governo prosseguirá na luta contra o que classifica como “disputa predatória e desleal” dos outros países, o que implica conter a apreciação do real ante o dólar. “Vamos continuar com a política de impedir a valorização do câmbio e de defesa comercial”, apontou. Para que as indústrias tenham condições de competir com os importados, o governo federal acena com novas medidas para melhorar a competitividade.

Em linha com o ministério da Fazenda, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, destacou sua expectativa de que a economia doméstica vai acelerar ao longo de 2012, sobretudo no segundo semestre. A inflação, na avaliação dele, já se encontra em uma trajetória descendente e com rumo ao centro da meta, que é de 4,5%.

(com Agência Estado)

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