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Mantega assegura real desvalorizado e impulsiona dólar

Dólar à vista encerrou o dia a 2,0310 reais, com alta de 0,79%, no maior nível desde 28 de junho; fala do ministro reforça recado de diretor do BC na véspera

Na mínima, a moeda foi a 2,0110 reais e chegou a 2,0360 reais

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu impulso ao dólar nesta quarta-feira, dia de volume reduzido de negócios, em virtude do feriado da Independência nos Estados Unidos. Mantega reforçou a mensagem de que o governo quer o real em um nível que favoreça a competitividade da indústria e, ao assegurar que a moeda brasileira continuará desvalorizada, provocou reação instantânea no mercado, empurrando o dólar para as máximas do dia.

No balcão, o dólar à vista encerrou a 2,0310 reais, com alta de 0,79%, no maior nível desde 28 de junho. Na mínima, a moeda foi a 2,0110 reais e chegou a 2,0360 reais, na máxima do dia. Na BM&F, a moeda spot fechou em 2,0340 reais, com alta de 1,60%, na máxima desta quarta-feira. Em grande parte do dia, o volume foi magro, mas ganhou fôlego na segunda parte da sessão. O giro financeiro total somava 1,11 bilhão de dólares (1,08 bilhão de dólares em D+2) perto das 16h30. Há pouco, o dólar para agosto de 2012 estava em 2,040 reais, com avanço de 0,72%.

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Pelo segundo dia consecutivo, o dólar sobe ante o real amparado por declarações oficiais. Na terça-feira, com Aldo Mendes, do Bando Central, e agora com Mantega. Um dia depois de conhecido o recuo da produção industrial em maio, o ministro da Fazenda assegurou que o real vai continuar desvalorizado, beneficiando a produção brasileira. Mais cedo, o ministro já havia dito que uma política cambial mais ativa faz o real mais competitivo para a indústria. A nova taxa de câmbio, citou ele, reduz o custo Brasil porque reduz os custos em dólares.

Um analista de um banco internacional citou que a indústria brasileira tem sido abatida por custos elevados, demanda consumidora branda no exterior e questões de competitividade relacionadas a um real ainda valorizado. A percepção é que a moeda deve se segurar em torno do que é considerado piso informal de 2,00 reais à frente, principalmente pela disposição do governo em manter o real depreciado diante da preocupação de que o ambiente externo frágil deprima as exportações domésticas.

No exterior, o Dia da Independência nos EUA retirou liquidez dos mercados europeus e contribuiu para que o euro fosse às mínimas ante o dólar e outras divisas globais, com a expectativa dos investidores em relação à reunião do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira. O dólar australiano alcançou o maior nível em dois meses ante o americano diante de dados favoráveis no varejo local em maio. A rupia recuperou parte das perdas do início do dia, depois de comentários de que Nova Délhi planeja reduzir as restrições ao investimento estrangeiro em títulos do governo.

Entre os dados divulgados nesta quarta-feira no país, o BC informou que o fluxo cambial ficou positivo em 318 milhões de dólares em junho, sendo que o fluxo financeiro foi positivo em 1,28 bilhão de dólares e o comercial, negativo em 962 milhões de dólares no mesmo período. No primeiro semestre, o fluxo ficou positivo em 22,94 bilhões de dólares, ou 42% menor que o nível registrado no mesmo período em 2011.

(com Agência Estado)