Mais do que um destino turístico: Pomerode é a campeã entre as pequenas cidades do Sul
Pomerode alia um parque industrial consolidado, turismo em expansão e gestão voltada ao empreendedorismo para sustentar seu desenvolvimento
A catarinense Pomerode reúne o melhor de dois mundos. À primeira vista, é uma típica cidade do interior, de ritmo tranquilo, praças floridas e jardins impecáveis. Suas paisagens, que lembram um cartão-postal europeu, são marcadas por quase 300 casas enxaimel — técnica trazida pelos imigrantes alemães no século XIX e preservada como símbolo da identidade local. Essa atmosfera fez de Pomerode um dos destinos turísticos que mais crescem no Sul do país. Em 2025, o município recebeu 1 milhão de visitantes, trinta vezes sua população. Parques temáticos, cervejarias artesanais e a arquitetura típica ajudam a explicar esse fluxo.
Mas a cidade está longe de viver apenas do turismo. Pomerode abriga 360 indústrias, incluindo unidades de multinacionais alemãs de tecnologia e engenharia, como Bosch, e de equipamentos industriais, como a Netzsch, além de empresas dos setores têxtil, de vestuário e de brinquedos. Tudo isso sem perder o ambiente bucólico que caracteriza o município. “Muitas cidades acabam concentrando seu desenvolvimento em uma única vocação econômica”, diz o prefeito Rafael Ramthun (PL). “Pomerode fez uma escolha diferente: desenvolver, de forma equilibrada, todas as suas vocações.” É justamente esse equilíbrio que embasa sua liderança entre as cidades de pequeno porte da Região Sul no ranking As Melhores Cidades do Brasil. Embora não ocupe o primeiro lugar em nenhum indicador específico, o município apresentou desempenho consistente em praticamente todos os critérios avaliados.
Criar um ambiente favorável aos negócios tornou-se uma das prioridades da administração. A prefeitura prepara programas de financiamento com juros zero para micro e pequenas empresas e de qualificação de mão de obra para atender à demanda da indústria local. Também estuda extinguir a taxa de licença de empresas. A lógica é simples: menos burocracia, maior segurança jurídica e mais liberdade econômica tendem a estimular investimentos. Enquanto essas medidas não entram em vigor, o objetivo é evitar que o poder público se transforme em obstáculo para quem deseja empreender.
O fortalecimento do turismo, porém, começou muito antes. Há cerca de duas décadas, a prefeitura decidiu transferir para a iniciativa privada a organização de eventos tradicionais, como a Osterfest, realizada na Páscoa. “Isso profissionalizou os eventos e ampliou seu alcance”, afirma Manfredo Goede, secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico. O aumento do fluxo de visitantes estimulou novos investimentos em atrações permanentes, transformando Pomerode em um destino procurado durante todo o ano, especialmente por famílias.
A parceria entre poder público e iniciativa privada vai além dos grandes empreendimentos. Vinte e cinco praças, mais canteiros de ruas e avenidas são mantidos por empresas que adotam esses espaços em troca da exposição de suas marcas. O modelo reduz custos para a prefeitura e contribui para conservar um dos pontos fortes da cidade: o cuidado com os espaços públicos. A gestão também procura incorporar práticas pouco comuns. Eleito em 2022, Ramthun escolheu seus secretários por meio de processo seletivo, em vez de distribuir cargos entre partidos aliados. Todos trabalham com metas, indicadores de desempenho e monitoramento permanente dos resultados. Em Pomerode, a reunião de eficiência administrativa, ambiente favorável aos negócios e qualidade de vida parece confirmar que é possível aliar o desenvolvimento econômico e a preservação do charme de uma pequena cidade do Sul do país.
Publicado em VEJA, julho de 2026, edição VEJA Negócios nº 28







