Mais da metade dos trabalhadores termina o mês sem dinheiro, diz Serasa
Alimentação e contas básicas são os gastos que mais pressionam o orçamento; dificuldades financeiras também afetam a saúde e a produtividade
Mais da metade dos trabalhadores brasileiros não consegue chegar ao fim do mês com dinheiro suficiente para pagar todas as despesas. Segundo levantamento da Serasa Experian divulgado nesta terça-feira, 18, 53% dos profissionais enfrentam essa situação.
O resultado praticamente não mudou em relação a 2025, quando o percentual era de 54%. Entre os entrevistados, 47% afirmaram recorrer a alguma alternativa para fechar as contas, como crédito ou renda complementar. Outros 6% terminam o mês sem recursos e sem acesso a uma solução adicional.
A pesquisa ouviu 1.008 profissionais de empresas públicas e privadas, incluindo trabalhadores com carteira assinada e prestadores de serviços que atuam como pessoa jurídica. As entrevistas foram realizadas pela internet entre 12 e 30 de junho. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais.
Alimentação e contas básicas pesam mais
Entre os profissionais que não conseguem pagar todas as despesas do mês, 78% apontaram a alimentação como uma das principais pressões sobre o orçamento. Contas básicas da casa, como água, energia elétrica e gás, foram mencionadas por 72%.
Também aparecem na lista os financiamentos de imóveis e veículos, citados por 44%; compras de roupas, utensílios e outros produtos, com 43%; empréstimos, com 33%; e despesas com estudos, mencionadas por 22%. Cada participante poderia indicar até três categorias.
Os números revelam que o aperto está concentrado principalmente em gastos essenciais ou difíceis de reduzir rapidamente. A ausência de uma margem no orçamento também deixa os trabalhadores mais vulneráveis a imprevistos e ao uso de linhas de crédito mais caras.
Problemas financeiros chegam ao trabalho
O levantamento também mediu os efeitos das dificuldades financeiras sobre pessoas que enfrentaram problemas com dinheiro nos últimos cinco anos.
Na vida pessoal, irritabilidade e insônia foram relatadas por 44% dos entrevistados. Também foram mencionadas alterações de peso, dores físicas, depressão e isolamento social.
No ambiente profissional, 51% disseram sofrer com estresse e 46% relataram exaustão extrema ou esgotamento físico. A falta de dinheiro ainda reduziu a atenção de 35% dos trabalhadores e afetou a produtividade de 33%.
Os percentuais mostram que o desequilíbrio das contas não permanece restrito à vida doméstica. A pressão financeira acompanha parte dos profissionais durante a jornada de trabalho e interfere na concentração e no rendimento.
A fatia de trabalhadores que termina o mês sem recursos permaneceu praticamente estável de um ano para o outro: passou de 54% em 2025 para 53% em 2026.







