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Bets ganham espaço entre mulheres e expõem riscos para o orçamento familiar

Pesquisa mostra que 54% das entrevistadas têm contato direto ou familiar com as bets, enquanto especialistas alertam para impactos financeiros

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 ago 2026, 10h29 | Atualizado em 27 ago 2026, 10h30
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As bets já fazem parte da realidade de mais da metade das mulheres brasileiras, seja pelo contato direto com as plataformas ou pela convivência com familiares que apostam. Segundo a pesquisa “Mulheres & Bets”, 42% das entrevistadas afirmam que apostam ou já apostaram em plataformas online, enquanto outras 12% não jogam, mas têm alguém da família que aposta. Juntos, os grupos representam 54% das entrevistadas.

O dado chama atenção para um efeito menos discutido da expansão das apostas online: quando o hábito de apostar evolui para um quadro de ludopatia, as consequências podem ultrapassar quem joga e atingir o orçamento, o patrimônio e as relações familiares.

Entre as mulheres que apostam, 21,5% apontam a busca por renda extra como principal motivação, enquanto 19% dizem apostar pela expectativa de ganhar dinheiro rapidamente. O levantamento mostra ainda que 72% das apostadoras têm filhos, o que amplia o potencial impacto de problemas financeiros provocados pelo comportamento compulsivo.

Para o advogado Marcelo Robalinho, sócio do RA Law e especialista em Direito Civil, com atuação em casos relacionados à ludopatia e uso indevido de imagem em bets, o problema pode deixar de ser exclusivamente individual quando passa a afetar terceiros. “Na prática, um quadro de ludopatia pode gerar uma cadeia de consequências jurídicas que vai muito além da dívida contraída em uma plataforma. Dependendo das circunstâncias, a evolução do comportamento ludopata vai causar repercussões nas relações trabalhistas, inclusive com afastamento do trabalho, e o comprometimento do patrimônio pode provocar disputas entre cônjuges, discussões sobre administração e divisão de bens, dificuldades na manutenção das despesas familiares e até conflitos relacionados à sucessão”, alerta.

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Poucas mulheres buscam ajuda

Outro ponto de atenção está na baixa procura por auxílio. De acordo com a pesquisa, apenas 13% das mulheres que apostam ou já apostaram procuraram algum tipo de ajuda. O levantamento também identificou relatos de ansiedade e depressão associados às apostas.

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Na avaliação de Robalinho, a demora em buscar apoio pode fazer com que problemas inicialmente financeiros avancem para outras áreas da vida. “Quando a aposta passa a comprometer o comportamento da pessoa, o patrimônio, a renda necessária para a manutenção da família ou a relação entre seus integrantes, o Direito Trabalhista e Civil precisa olhar para esse fenômeno de maneira mais ampla. Não se trata de presumir incapacidade ou retirar a autonomia de quem aposta, mas de analisar, caso a caso, quais direitos estão sendo afetados e quais mecanismos jurídicos podem ser utilizados para preservar o patrimônio, as relações familiares e a dignidade das pessoas envolvidas”, explica.

Para o advogado, a expansão das bets também aumenta a necessidade de uma abordagem multidisciplinar. A questão, segundo ele, não se limita às perdas financeiras de quem aposta, mas envolve possíveis consequências trabalhistas, patrimoniais e familiares que precisam ser avaliadas individualmente.

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