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Maia: Previdência fica para 2017, e PEC do Teto ‘basta passar’

Para presidente da Câmara, alteração nas aposentadorias terá debate "duro", e o importante é conseguir os votos necessários para aprovar limite do gasto

Por Da redação - 24 out 2016, 15h04

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira que a reforma da Previdência deve ser votada apenas em fevereiro de 2017. Segundo o deputado, a discussão do projeto deve começar ainda este ano, com a formação de uma comissão especial. “Vai ser um debate duro. A base e o governo vão ter que estar muito preparados para a comunicação, para explicar para o cidadão o porquê da reforma”, afirmou.

A previsão do Palácio do Planalto é enviar o texto ao Congresso apenas na segunda semana de novembro. De acordo com uma fonte que acompanha as discussões, Temer deve receber as centrais sindicais, confederações de empresários e as lideranças no Congresso apenas depois do segundo turno das eleições municipais. E apenas depois disso a reforma será encaminhada ao Congresso.

PEC do Teto

Sobre a proposta de emenda à constituição que limita o gasto público, a PEC do Teto, Maia defendeu que o importante é ter pelo menos 308 votos e vencer a votação em segundo turno. O discurso é diferente daquele pregado inicialmente pelo governo, que pretendia ter a maior votação possível.

“O importante para o governo é ganhar. O importante para a base é ter 308 votos. Tudo que vier acima disso é muito bom, muito bem-vindo. A gente espera ter um resultado tão bom quanto no primeiro turno, mas o importante é a vitória para que a matéria possa ir ao Senado”, afirmou Maia ao sair de um evento em São Paulo.

O governo teve 366 votos no primeiro turno, com quase trinta traições. Inicialmente, a intenção era recuperar parte desses votos para o segundo turno, com o presidente Michel Temer chamando deputados da base que votaram “não” para “discutir a relação”.

No entanto, a prisão do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, na semana passada, atrapalhou os planos. O Planalto admite que parte da base ainda fiel a Cunha –uma parte pequena, mas que ainda existe– pode retaliar o governo por achar que Temer não fez o suficiente para ajudar o ex-deputado.

Outra parte, segundo fontes do Palácio do Planalto, pode simplesmente querer se manter distante de Brasília em um momento conturbado. Por isso, Temer passou os últimos dias, desde sua chegada da viagem à Índia e ao Japão, conversando com parlamentares para tentar garantir o quórum alto na terça-feira.

Esta noite, o presidente irá a um coquetel na casa de Maia, chamado para tentar garantir o quórum para a votação de terça. Falando a jornalistas, o presidente da Câmara procurou minimizar a influência da prisão de Cunha sobre o humor na Câmara. “Acho que não vai impactar. Claro que é um momento triste. Ninguém fica feliz que um ex-deputado, um ex-presidente da Câmara, tenha sido preso. Mas acho que não trará influência nas votações. Não tenho dúvida que o ambiente na Câmara é positivo”, disse.

(Com Reuters)

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