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Magazine Luiza: Por que a queda nos lucros deixou o mercado em festa

Resultados no quarto trimestre de 2019 aquém do registrado no mesmo período no ano anterior fazem parte de estratégia do presidente Frederico Trajano

Por Victor Irajá - Atualizado em 17 fev 2020, 14h44 - Publicado em 17 fev 2020, 12h47

Parece loucura, mas de louco o presidente do Magazine Luiza, Frederico Trajano, não tem nada. Em conversa com jornalistas em dezembro, incluindo VEJA, o filho da mulher que dá nome ao e-commerce foi sincero quanto a seu modelo de negócios: afirmou que poderia diminuir suas margens de lucro num primeiro momento para investir em um crescimento sustentável e contínuo. Nesta segunda-feira, 17, a promessa consolidou-se em números. A empresa divulgou lucro líquido 11,4% menor no quarto trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme um salto nas despesas operacionais ofuscou vendas maiores no período, puxando margens para baixo. A varejista reportou lucro líquido de 168 milhões de reais entre outubro e dezembro ante 189,6 milhões de reais um ano atrás. Em termos ajustados, o resultado foi de 185,3 milhões de reais.

Na bolsa de São Paulo, as ações da varejista dispararam, tamanho o crédito dado ao presidente. As ações subiam 3,7% às 13h desta segunda, 17, fundamentadas nas palavras do executivo. “Se precisarmos fazer trade off das margens, nós vamos. Eu pensei que este trade off seria até maior, mas conseguimos segurar bastante e manter o nível de rentabilidade”, admitiu na ocasião. Executivos da empresa, porém, prometem — mesmo com as reduções deliberadas nos lucros — que a companhia lucraria mais que as concorrentes. “A gente vai crescer acima do mercado, temos condições para isso”, crava um diretor do Magalu.

Suas principais concorrentes, a Via Varejo e a B2W, ainda não divulgaram os resultados do quarto trimestre. O mercado aguarda ansioso. A primeira é dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio e protagonizou, no ano passado, a principal mudança no mercado varejista. Os fundadores das Casas Bahia, a família Klein, assumiram o controle do grupo e prometeram, ao trazer gente de peso do mercado — ex-Magazine Luiza, inclusive —, que fariam um intenso processo de redesenho das operações. A meta é se tornar a nova queridinha do setor, lugar ocupado pela rede de Fred Trajano.

Para ingressar num modelo de crescimento exponencial, o Magazine Luiza vem investindo em diversas frentes. Em dezembro, a empresa anunciou a criação de uma carteira digital que funciona dentro do aplicativo gigantesco da varejista, sem obrigar o cliente a baixar um novo app. E a estratégia vem dando certo. O serviço de crédito do Magazine Luiza registrou um aumento de 23,7%, impactado principalmente pela disseminação do cartão da loja, do quarto trimestre de 2018 para cá.

Ou seja, a empresa gasta — e gasta com responsabilidade. Com a intenção expressa de se tornar a “Amazon brasileira”, Frederico Trajano se movimenta. Comprou a deficitária Netshoes em junho e, nesta segunda, anunciou a aquisição da Estante Virtual — um site de compra e venda de livros, por 31 milhões de reais. O Magazine Luiza, vale lembrar, se valorizou mais de 1000% em oito anos de bolsa. Algo digno de Jeff Bezos. 

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(Com Reuters)

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