Lula x Flávio Bolsonaro: temor com a economia dispara em pesquisa e pode decidir eleição
De agosto até 14 de setembro, o percentual de eleitores que citaram a economia como o maior problema do país saltou de 13% para 19%
Com 84 milhões de brasileiros endividados – mais da metade da população adulta – e recordes de inadimplência e de empresas quebradas, a economia entrou de vez na corrida eleitoral e pode decidir quem comandará o Brasil pelos próximos quatro anos. Embora a violência continue no topo dos problemas que flagelam a população, com 31% das menções na última pesquisa da Quaest, a preocupação com a economia disparou nas últimas semanas e já disputa com a corrupção o segundo lugar no ranking de preocupações dos eleitores. De agosto até 14 de setembro, o percentual de eleitores que citaram a economia como o maior problema do país saltou de 13% para 19%.
Com a corrida eleitoral polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tais eleitores terão um peso importante no segundo turno. Mas, enquanto Lula tenta vender um Brasil de propaganda eleitoral, a população ouve cada vez mais o próprio bolso – e ele está se esvaziando.
Segundo a Quaest, quatro das cinco regiões do Brasil registraram um salto nas menções à economia nas últimas semanas. No Sudeste, a preocupação com o tema subiu de 14% para 22% ao longo de setembro. No Sul, o percentual foi de 20% para 22% no mesmo período. No Centro-Oeste, baixou de 21% para 18%, mas o nível ainda é significativamente maior que os 11% do início de agosto.
Representando mais da metade da população apta a votar, as mulheres são as que passaram a se preocupar mais com a economia, passando de 16% para 19% das respostas durante setembro. Entre os homens, o percentual subiu de 17% para 19%. Quando se considera a faixa etária, os jovens de 16 a 34 anos são os mais aflitos com o assunto – 23% deles o colocam no topo dos problemas.
No recorte por renda, quem ganha entre 2 e 5 salários mínimos se destaca. Do início de setembro até agora, as menções aos problemas econômicos nessa faixa subiram de 17% para 20%. Para quem ganha acima de 5 salários mínimos, o percentual de respostas semelhantes saltou de 17% para 24%.
Os números da Quaest mostram ainda que, se Lula continuar pregando para convertidos, corre o sério risco de perder a eleição. Isto, porque a economia preocupa cerca de 13% dos eleitores de esquerda (lulistas e não lulistas). Entre os eleitores independentes – aqueles que não se alinham automaticamente a nenhum candidato -, porém, o tema aflige agora 19% dos entrevistados, ante 17% no início do mês. Trata-se de um grupo que merece ser ouvido, já que representa 31% do eleitorado, segundo a Quaest.
Para os eleitores de direita que não se consideram bolsonaristas, o percentual escalou de 24% para 27% no mesmo período. Trata-se de um patamar maior que os 24% registrado entre os bolsonaristas. A escalada da economia no ranking de principais problemas que preocupam os eleitores mostra que, em outubro, o bolso vazio e as dívidas atrasadas pode selar o destino do próximo presidente da República.





