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Lula sugere ‘Desenrola’ para socorrer clubes de futebol endividados

Presidente citou a dívida do Corinthians ao defender um programa da Caixa para renegociar débitos dos times brasileiros

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 ago 2026, 13h46 | Atualizado em 24 ago 2026, 14h04
Lula sugere ‘Desenrola’ para socorrer clubes de futebol endividados Priorizar nos meus resultados Google

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter sugerido à Caixa Econômica Federal a criação de um programa para renegociar dívidas de clubes de futebol. A ideia seria adotar um modelo semelhante ao Desenrola, usado pelo governo para facilitar acordos entre devedores e credores.

A declaração foi feita em entrevista à Record exibida no domingo, 23. Lula, no entanto, não apresentou regras, estimativa de custo, fonte de recursos ou critérios para definir quais clubes poderiam participar.

“Vamos pensar em fazer um Desenrola para os clubes de futebol, porque estão todos quebrados”, disse o presidente, ao relatar a conversa com a Caixa.

Até agora, não há anúncio público do banco sobre a elaboração do programa. A proposta permanece no campo das sugestões e não tem prazo para ser apresentada.

Como funcionaria o programa?

O Desenrola foi criado para facilitar a renegociação de dívidas vencidas, geralmente com descontos, parcelamentos e novas condições de pagamento. A Caixa oferece atualmente condições de renegociação para clientes inadimplentes.

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Lula não esclareceu se a eventual versão para o futebol teria recursos públicos, garantias do governo ou apenas a participação da Caixa como intermediária nas negociações com os credores.

Também não informou se o programa atenderia associações esportivas, clubes transformados em sociedades anônimas do futebol, as chamadas SAFs, ou ambos. Sem um desenho definido, não é possível estimar o impacto financeiro da proposta para o banco público.

Lula critica modelo financeiro dos clubes

Durante a entrevista, o presidente atribuiu parte do endividamento dos times à má administração e ao pagamento de salários que, segundo ele, não correspondem à realidade econômica brasileira.

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Lula também criticou a dependência dos clubes de patrocinadores como empresas de apostas esportivas e plataformas de conteúdo adulto. Ele não apresentou, porém, uma proposta para alterar as regras desses contratos.

O patrocínio de casas de apostas ganhou espaço nas principais competições nacionais e se tornou uma fonte relevante de receita para vários times. A sugestão de um programa de renegociação surge em um setor que combina faturamento elevado com dívidas tributárias, bancárias, trabalhistas e comerciais.

Dívida do Corinthians entra na discussão

Torcedor do Corinthians, Lula usou a situação financeira do clube como exemplo. Segundo os números mencionados por ele, uma dívida que teria começado em R$ 400 milhões já recebeu pagamentos de R$ 1,075 bilhão, mas ainda estaria em aproximadamente R$ 600 milhões.

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O presidente não explicou a quais contratos, períodos ou credores os valores se referiam. Os números foram apresentados por Lula durante a entrevista e não vieram acompanhados de documentos.

Questionado sobre uma eventual intervenção judicial no Corinthians, o presidente disse que não se oporia à medida caso sua necessidade fosse comprovada. O Ministério Público de São Paulo analisa a situação administrativa e financeira do clube, mas ainda não existe decisão judicial determinando uma intervenção.

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