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Lucro do Santander Brasil cai 24,32% em 2012

Mesmo com a queda do lucro, o Brasil aumenta a vantagem como unidade mais lucrativa da instituição financeira espanhola

O banco Santander Brasil anunciou nesta quinta-feira lucro líquido de 2,692 bilhões de reais em 2012, queda de 24,32% ante o resultado visto em 2011, seguindo o padrão contábil brasileiro, o BRGaap. A carteira de crédito da instituição de origem espanhola totalizou 211,959 bilhões de reais ao final de dezembro, aumento de 2,2% ante o montante registrado em setembro, de 207,334 bilhões de reais. Na comparação anual, a oferta de empréstimos cresceu 7,6%.

O destaque de crescimento no quarto trimestre do ano passado foi a carteira de pequenas e médias empresas. Os empréstimos para este público avançaram 4,8% na comparação com o terceiro trimestre, para 36,487 bilhões de reais. Em relação aos três últimos meses de 2011, o avanço foi ainda maior, de 14,5%. O crédito pessoa física aumentou 2,7% na comparação trimestral e 8,6% ante 12 meses. Nas grandes empresas, os crescimentos foram de 0,9% e 5,3%, respectivamente.

Os ativos do banco espanhol totalizaram 447,353 bilhões de reais ao final de 2012, montante 5,6% maior que o registrado no ano imediatamente anterior. O Santander encerrou dezembro com patrimônio líquido consolidado de 65,869 bilhões de reais, praticamente estável (+0,4%) em relação aos 65,579 bilhões de reais vistos no término de 2011.

Mesmo com a queda do lucro, o Brasil aumenta a vantagem como unidade mais lucrativa da instituição financeira espanhola. Isso porque o desempenho das outras unidades foi mais negativo. Segundo o balanço, a unidade brasileira foi responsável por 26% do lucro total do grupo. A fatia do lucro nacional é quase o dobro do desempenho da matriz espanhola, que foi responsável por 15% do resultado financeiro. O resultado do grupo na Europa continental – que inclui Espanha, Alemanha, Portugal, Polônia e outros países – gerou o equivalente a 27% do lucro, bem perto do resultado da unidade brasileira. Entre os demais mercados, Reino Unido foi origem de 13% do lucro e Estados Unidos responderam por 10% do resultado.

Inadimplência – A filial brasileira do banco registrou aumento da inadimplência no quarto trimestre de 2012. Segundo o vice-presidente do grupo, Alfredo Sáenz, o porcentual das operações de crédito em atraso no Brasil atingiu 6,86% em dezembro de 2012. O nível de calote no país é maior do que o registrado na sede espanhola, que sofre fortemente com a crise financeira.

O balanço divulgado nesta quinta-feira mostra piora dos calotes no Brasil, já que a inadimplência estava em 6,79% em setembro. Um ano antes, em dezembro de 2011, a taxa estava em 5,38%. Com o aumento do nível de calote no fim do ano passado, a filial amarga o quinto trimestre consecutivo de piora da inadimplência.

Segundo Sáenz, o aumento da inadimplência trimestral no Brasil e na Espanha – que passou de 6,38% para 6,74% – ajudou a elevar o nível médio de calote do grupo, que passou de 4,33% no 3º trimestre para 4,54% no 4º trimestre de 2012.

Balanço – O lucro do Santander em todo o ano de 2012 caiu 59%, para 2,21 bilhões de euros. No ano inteiro de 2012, o Santander reservou 18,8 bilhões de euros para cobrir perdas com empréstimos, incluindo mais de 6 bilhões de euros que são destinados para o setor imobiliário espanhol. No quarto trimestre, contudo, o lucro do banco cresceu, uma vez que o gigante bancário completou um cara limpeza de seus ativos imobiliários espanhóis ao mesmo tempo que se beneficiou de rendimentos relativamente robustos na América Latina.

O banco registrou um lucro líquido de 401 milhões de euros (US$ 544 milhões), bem acima dos 47 milhões de euros apresentados no mesmo período do ano anterior. Os resultados em ambos os anos foram puxados para baixo por despesas de ativos imobiliários do Santander. A receita líquida de juros, a principal fonte de receita do banco, caiu para 7,15 bilhões de euros no trimestre, em comparação com 7,54 bilhões de euros um ano antes. Os analistas esperavam lucro líquido de 520 milhões de euros e uma receita líquida de juros de 7,30 bilhões de euros, de acordo com uma pesquisa feita com oito corretoras.

(Com Estadão Conteúdo)