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Lucro da Natura desaba 92%, e Brasil vira principal obstáculo à recuperação da companhia

Vendas caem no país, enquanto operação na América Latina melhora e ajuda a empresa a manter as contas sob controle

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 ago 2026, 17h03 | Atualizado em 11 ago 2026, 17h11
Lucro da Natura desaba 92%, e Brasil vira principal obstáculo à recuperação da companhia Priorizar nos meus resultados Google

A Natura teve um segundo trimestre difícil no Brasil.

O lucro líquido da companhia caiu 92% entre abril e junho, para R$ 35 milhões, ante R$ 196 milhões um ano antes. O resultado ficou bem abaixo dos R$ 137 milhões projetados pelo Citi.

A receita também encolheu. A empresa faturou R$ 5,17 bilhões no período, queda de 9,1% em relação ao segundo trimestre de 2025. O principal problema esteve no mercado brasileiro, que responde por uma parcela importante dos negócios da companhia.

No país, a receita caiu 14,8%, para R$ 3,07 bilhões. As duas principais marcas tiveram desempenho negativo: as vendas da Natura recuaram 14,5% e as da Avon, 22,5%.

A empresa atribuiu o resultado a uma combinação de fatores. Houve falta de alguns produtos, um efeito tributário temporário e um consumo mais fraco. A Natura também está mudando regras comerciais e contratos de franquia, o que afetou as vendas durante o período.

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Operação ainda gera caixa

Apesar da queda do lucro, o resultado operacional foi melhor do que o esperado pelo mercado.

A Natura teve R$ 620 milhões de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, indicador usado para acompanhar o desempenho do negócio. O valor caiu 5,9% em um ano, mas superou a previsão de R$ 557 milhões do Citi.

A empresa também gerou R$ 342 milhões em caixa no trimestre. A dívida em relação ao resultado operacional caiu ligeiramente, para 2,06 vezes.

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Na prática, isso significa que a Natura está conseguindo controlar despesas e preservar dinheiro mesmo com as vendas em queda. O problema é que essa eficiência ainda não foi suficiente para compensar a retração da receita e evitar uma forte redução do lucro.

América Latina ajuda a equilibrar resultado

Fora do Brasil, o cenário foi melhor.

Nos mercados latino-americanos de língua espanhola, a receita chegou a R$ 2,1 bilhões, praticamente estável em reais, mas com crescimento de 7,2% quando descontada a variação do câmbio.

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A rentabilidade melhorou ainda mais. O resultado operacional da região subiu 92,7%, para R$ 160 milhões. A margem, que mostra quanto da receita vira resultado operacional, passou de 4% para 7,6%.

A melhora está relacionada principalmente à redução de despesas administrativas e à reorganização das operações.

Esse avanço é importante para a estratégia da Natura, que nos últimos anos vem simplificando sua estrutura e concentrando os negócios na América Latina depois de vender ativos e deixar operações consideradas menos estratégicas.

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O desafio agora é o Brasil

O balanço deixa uma situação clara: a Natura conseguiu melhorar a eficiência da operação, mas ainda precisa recuperar as vendas no principal mercado.

O Brasil continua sendo o maior obstáculo. A empresa terá de resolver os problemas de abastecimento e adaptar sua nova política comercial ao mesmo tempo em que tenta convencer um consumidor mais cauteloso a voltar a gastar.

O próximo trimestre será importante para saber se a queda de vendas foi apenas um problema temporário ou se representa uma dificuldade mais duradoura.

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Por enquanto, o balanço mostra uma Natura menor e mais enxuta, capaz de gerar caixa, mas ainda em busca de crescimento.

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