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‘Lua de mel’ entre Brasil e China acabou, diz Financial Times

Caderno especial da edição desta segunda-feira avalia que sobram diferenças entre os dois países, apesar do discurso conciliatório

Por Da Redação 23 Maio 2011, 13h30

“Seria muito difícil encontrar duas grandes nações no mundo moderno que sejam social, política e culturalmente tão diferentes quanto China e Brasil”

As relações comerciais entre Brasil e China apontam para as diferenças, os desafios e os desencontros existentes entre as duas economias emergentes, diz o jornal Financial Times, em caderno especial sobre o tema, publicado nesta segunda-feira. “Há sinais crescentes de que a lua de mel acabou”, afirma o jornal britânico.

“Seria muito difícil encontrar duas grandes nações no mundo moderno que sejam social, política e culturalmente tão diferentes quanto China e Brasil”, afirmou o FT. Em razão disso, o jornal alerta para o crescimento das tensões entre ambos. Enquanto vê como bem-vinda a demanda chinesa por commodities, o Brasil reclama da entrada de manufaturados chineses baratos, o que traz o risco de desindustrialização.

O crescimento das relações comerciais entre os países e os bilhões obtidos com a venda de matérias-primas estimulam a economia brasileira. Isso permitiu que o governo do país desse início a uma intensa expansão econômica movido pelo crédito, sem se preocupar com o déficit em conta corrente, diz o FT. “Pela primeira vez, a classe média baixa tem dinheiro para gastar. Ao mesmo tempo, de repente ela pode bancar a compra de produtos graças a uma enxurrada de importações baratas da China”, diz o periódico.

Contudo, do ponto de vista industrial, há preocupações. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) argumenta que o superávit comercial brasileiro com a China, de 5,2 bilhões de dólares no ano passado, foi obtido graças à venda de commodities. Na área da manufatura, houve déficit recorde de 23,5 bilhões de dólares. “Hoje, é difícil encontrar alguma coisa fabricada no Brasil”, afirma o jornal, ao lembrar que 80% das fantasias do carnaval deste ano foram importadas, a maior parte da China.

Em visita recente ao país asiático, a presidente Dilma Rousseff pressionou para que a China comprasse mais produtos industrializados do Brasil. Foram fechados negócios com a Embraer e houve o anúncio do compromisso de investimentos da Foxconn – empresa de Taiwan com forte operação na China. Os fabricantes nacionais alertam que o país pode sofrer desindustrialização caso não imponha mais medidas protecionistas sobre o que chamam de dumping de produtos chineses artificialmente baratos, aponta a publicação britânica.

Para o Financial Times, a China também traz outros desafios ao governo Dilma. “O Brasil é uma democracia liberal que pretende cada vez mais apoiar os direitos humanos, enquanto a China é autoritária e uma repressora brutal das discordâncias.” Além disso, o Brasil quer ser uma força dominante na América Latina, enquanto o crescimento do comércio da China na região a torna uma competidora, avalia o jornal.

(com Agência Estado)

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