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Lojinha do museu, um lugar a se visitar

Com o aumento da renda das vendas, entidades culturais incrementam o ponto de venda com design e objetos exclusivos

Por Carolina Guerra 29 Maio 2011, 14h29

Há instituições cujas vendas no varejo chegam a ser reponsáveis por até 25% do faturamento

Em tempos em que mecenas da arte viraram figuras quase que extintas, as entidades culturais tiveram que reformular projetos e inovar. Atualmente a renda de uma instituição cultural vem de ingressos, patrocinadores de exposições, associações de amigos que ganham benefícios especiais e, uma grande fatia deste bolo vem, quem diria, das lojinhas. No Peggy Guggenheim Collection, em Veneza, por exemplo, as vendas no varejo em 2010 foram responsáveis por cerca de 25% do faturamento de 1,18 milhão de euros.

Uma das instituições que mais se destaca na arte de inovar é o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). Ele transformou o ponto de venda em uma loja de produtos de design exclusivo. Nada que lembre a invasão de tranqueiras de mal gosto que alguns viajantes costumam presentear amigos e famílias. “Nossos profissionais viajam o mundo em busca de produtos de novos designers, com novas técnicas e materiais criativos. Não queremos seguir tendências, queremos criar”, diz Kathy Thornton Bias, diretora de varejo do MoMA. Ela visitou o Brasil por conta do Atualuxo, um evento que acontece anualmente em São Paulo para discutir as perspectivas do mundo do luxo.

Além de inovação, o MoMA também apostou na expansão da sua rede de lojas. Já são três unidades em Nova York, uma no Japão e uma na Coreia mais as vendas pela internet em sites exclusivos em cada um desses países. Para julho deste ano, o museu prepara o lançamento de um novo portal, com a expectativa de alavancar ainda mais as vendas pela internet. No Brasil também é possível comprar produtos MoMA. A empresa Saint James importa cerca de 100 itens, renovados a cada entrega, e os distribui em lojas de design em São Paulo.

Neste nicho, o segredo é oferecer produtos literalmente para todos os bolsos. No MOMA, há desde caderninhos de três dólares a móveis assinados por designers ao custo de 3 mil dólares. Um dos itens mais populares é a saladeira Satellite, cujo design de varetas de madeira são moldados para receber frutas e legumes. Nos Estados Unidos sai por 45 dólares. No Brasil, por conta de impostos, custa cerca de 200 reais.

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Vaso de flor
Vaso de flor VEJA

Segue a mesma linha o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). “O critério para entrar na grade da loja é ser um produto que acrescente conteúdo à visita do museu”, conta Julie Belfer, coordenadora de marketing e negócios do MAM. Além de objetos exclusivos, quem passa por lá encontra a linha exclusiva do MAM, com lápis, boné e garrafa térmica, ou até peças de decoração. A loja já se tornou tão presente, que entre os planos da entidade, está criar um espaço exclusivo para a venda de joias.

O processo – Este tipo de loja existe, é bom lembrar, para angariar fundos para o museu – as vendas são revertidas para a manutenção da entidade. Outro ponto importante é que as pessoas compram também porque querem levar para casa uma lembrança da experiência que tiveram no museu. Logo, os produtos tem de ser condizentes com a proposta da instituição. “Em nossa loja acredito que há itens que a Peggy teria gostado”, diz Roque Luna Jr., gerente de varejo do Peggy Guggenheim Collection. Isso porque um dos produtos mais populares é o Peggy Funny Glasses, um óculos com lentes divertidas que distorcem a imagem. Só no ano passado foram mais de 2,8 mil unidades vendidas.

Mas os especialistas na área fazem alguns alertas. “Vender design é positivo, já vender produtos com imagens do acervo tem de ser feito com cautela”, ressalta Debora Buonano, professora do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Para ela, os produtos até servem para divulgar o acervo, mas que ninguém queira “conhecer a obra de Picasso em canequinhas”, em uma referência à banalização das imagens.

Outro cuidado é não atropelar a instituição em questão. Em 2009 o diretor do Louvre, Henri Loyrette chegou a sinalizar que abriria um Mc Donald´s dentro do museu. O diretor, que só queria modernizar a entidade, foi alvo de uma enxurrada de críticas tão grande, que nunca mais se falou nisso.

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