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Lobão diz que distribuidoras de energia terão novo empréstimo

Segundo o ministro, o governo está calculando valor extra a ser incluído como aditivo ao crédito de 11,2 bilhões de reais já disponibilizado às concessionárias

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou nesta quinta-feira que a nova ajuda financeira às distribuidoras do setor elétrico será feita por meio de um aditivo ao empréstimo acertado no início do ano pelo setor com bancos. O valor dessa ajuda extra ainda está sendo calculado pelo Ministério da Fazenda com “suporte técnico” do ministério de Minas e Energia, mas uma fonte que acompanha as negociações afirmou à agência Reuters na semana passada que o valor do aditivo deve superar a casa dos 2 bilhões de reais.

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Elétricas endividadas – Como o leilão de contratação de energia – quando as geradoras vendem a energia a ser produzida para as distribuidoras – do ano passado não atendeu toda a demanda de eletricidade do país, as concessionárias precisaram comprar mais energia no mercado à vista, a preços mais altos do que os que são praticados nos leilões. Além disso, com a diminuição das chuvas e das reservas das usinas hidrelétricas, as térmicas precisaram ser acionadas e essas usinas têm custos de produção bem maiores que outras fontes. Assim, a conta final das distribuidoras aumentou muito neste ano.

Em abril, o governo, juntamente com um consórcio de dez bancos, decidiu disponibilizar um empréstimo de 11,2 bilhões de reais às distribuidoras, dinheiro que seria repassado, conforme a necessidade, pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Participaram do arranjo: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander Brasil, Citibank, BTG Pactual, Bank of America Merrill Lynch, JPMorgan e Credit Suisse. Os recursos, que deveriam cobrir a exposição das empresas até o fim do ano, terminaram em junho. Para que as distribuidoras não sejam obrigadas a repassar ao consumidor os valores altos (e aumento da inflação em ano eleitoral), o governo estuda uma forma de continuar ajudando as empresas do setor.

Na quarta-feira, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse que se nada for feito em breve para amenizar o problema, pelo menos uma dezena de distribuidoras terão de repassar o aumento de gastos aos clientes, entre elas Celesc (SC), a CEB (DF) e a Celg (GO). “Aquilo que não tiver uma solução via empréstimo ou qualquer outra fonte de recurso, será refletido no processo tarifário”, disse Rufino a jornalistas, após ter sua recondução ao cargo de diretor-geral na Aneel aprovada pela Comissão de Infraestrutura do Senado.

A Aneel já adiou a liquidação dos débitos das empresas referente às operações de maio do dia 11 para 31 de julho, de modo a ganhar tempo para chegar a uma nova solução. Deverão ser pagos até o fim do mês 1,3 bilhão de reais.

(Com agência Reuters)