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Livro e seminário discutem as armadilhas das políticas públicas para a economia

Livro "A Riqueza da Nação no Século XXI" ensina economia de maneira descomplicada e traz luz ao turvado debate econômico brasileiro

Pregar para os convertidos é mole. O duro é convencer as pessoas francamente contrárias às suas ideias de que elas estão equivocadas. Essa foi a missão de que se incumbiu o economista Bernardo Guimarães com A Riqueza da Nação no Século XXI. O livro já havia sido lançado formato digital, editado pelo próprio autor, e agora chega às livrarias pela Editora BEI (208 páginas; 49 reais na versão impressa e 8 reais na digital). O objetivo de Guimarães foi falar aos jovens que continuam a ser martelados em sala de aula pelo marxismo vulgar segundo o qual a história da evolução econômica se resume a expropriação dos pobres e oprimidos pelos ricos e poderosos. Diz Guimarães no livro: “Uma longa tradição nas ciências sociais nos ensina a enxergar um embate entre grupos (pobres contra ricos) por trás de todos os debates sobre questões de política econômica”.

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Essa bitola mental envenena o debate, impossibilita qualquer conversa séria em termos racionais e abre espaço para o populismo. No fim, ficamos reféns de uma discussão radicalizada, sem espaço para os pactos institucionais de longo prazo. “Quando essa visão unidimensional toma força, fica difícil segurá-la. Políticos acabam escolhendo falar o que agrada ao eleitor a fim de evitar o fuzilamento sumário de suas chances de vitória”, diz Guimarães.

Foi a pobreza da discussão nas eleições que levou o economista a escrever o livro. Guimarães, doutor por Yale, já deu aula na London School of Economics e atualmente ensina na Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas. No livro, explica com leveza os conceitos subjacentes aos palavrões econômicos despejados diariamente pela imprensa, como ajuste fiscal, política monetária ou lei de conteúdo local. Mostra os mais prováveis resultados dessas ações e seus possíveis efeitos indesejados. Um exemplo: defender um benefício pode soar como algo positivo, como juram tantas vezes os políticos, mas o subsídio para um representa necessariamente imposto para outros, como fica evidente no caso dos juros camaradas para camaradas praticados pelo BNDES.

O livro de Guimarães será lançado nesta sexta-feira, durante o seminário “A racionalidade das escolhas: políticas econômicas para crescer e qualidade dos gastos públicos“, no Insper, em São Paulo. Além do autor, participarão das discussões os economistas José Alexandre Scheinkman, Ricardo Paes de Barros, Ana Clara Abrão, Mauro Rodrigues e Marcos Lisboa. A oportunidade servirá também para lançar o Por quê, site de educação econômica destinado a promover o “economês em bom português”. A plataforma, gratuita, foi criada por iniciativa da Editora BEI.

(Da redação)