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Levy se diz ‘preocupado com economia’ e que fez ‘o que dependia dele’

O ministro demissionário Joaquim Levy, que será substituído no Ministério da Fazenda a partir da semana que vem pelo ex-chefe do Planejamento Nelson Barbosa, preparou um discurso a ser lido diante de jornalistas nesta sexta-feira em que ele afirma que chega “ao fim de 2015 preocupado com a situação do país, particularmente com a da economia” e que, ao longo de doze meses à frente da pasta de economia, fez “o que dependia dele”. O discurso acabou não sendo utilizado, mas reflete o pensamento de Levy no dia em que deixa o governo.

Levy, que chegou à Fazenda com o compromisso de tentar colocar as contas públicas nos eixos, enfrentou intenso bombardeio de setores do PT, de deputados e senadores e do próprio ex-presidente Lula. Enfraquecido, se digladiou para a aprovação de medidas de ajuste fiscal no Congresso e por mais de uma vez pensou seriamente em abreviar o mandato à frente do ministério. “Constato que eu e minha equipe fizemos o que foi proposto em janeiro, pelo menos naquilo que dependia de nós”, disse.

Considerado linha dura e opositor da tese, defendida pelo novo ministro Nelson Barbosa, de aumento de gastos como instrumento de estímulo à economia, Joaquim Levy escreveu no discurso que “continua crendo que o caminho do crescimento é avançar nas reformas, especialmente do lado da oferta, e não pelo relaxamento das restrições orçamentárias e um foco em tentar socorrer pontualmente as necessidades localizadas de setores econômicos”. As políticas de desonerações setoriais foram uma marca do primeiro mandato da presidente Dilma e, em boa parte, responsável pelo estado de penúria das contas públicas.

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“É difícil gerar crescimento ou investimento gastando mais, quando ainda há tanto a ser pago do passado, a dívida pública se tornou um tema de preocupação e há impedimentos estruturais para o crescimento”, admitiu. Levy afirmou ainda que, a despeito da atual situação, a economia brasileira teria fundamentos “sãos” para superar a crise política e econômica. “Hoje, poucos pensam que bastará ao país um ajuste fiscal de curto prazo”, resumiu.

O ministro demissionário afirmou que seria “injustiça” com ele atribuir a recessão brasileira ao pacote de ajuste fiscal, lembrou o recente rebaixamento da nota do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch e fez uma espécie de mea culpa ao destacar como “a falta de maior sinalização de disposição mais imediata de esforço fiscal por parte do Estado brasileiro”. Este cenário, disse, piorou as expectativas dos agentes econômicos e inibiu investimentos.

Joaquim Levy condenou ainda a falta de aprovação, pelo Congresso, das medidas provisórias que aumentam alíquotas do imposto de renda sobre ganhos de capital. Segundo ele, isso “representa não só a perda de dezenas de bilhões de reais, mas uma oportunidade perdida de melhorar a justiça na distribuição do esforço tributário e eliminar distorções e brechas na tributação das rendas mais altas”.

Joaquim Levy ainda atribuiu à situação política parte do cenário de caos econômico e disse que “a turbulência política que cobrou um preço alto em 2015”. Ele declarou que “ninguém quer o impeachment como primeira opção”.