Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Leite foi vilão da inflação global de alimentos em março, diz FAO

Preço do leite subiu 11%, representando 17% do indicador. Índice de preços de alimentos subiu 1% em relação a fevereiro, mas caiu 1,7% ante março do ano passado

Por Da Redação - 11 abr 2013, 13h23

A pressão da alta dos alimentos nos gastos da população não é vista apenas no Brasil. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) informou nesta quinta-feira que os preços internacionais dos alimentos subiram 1% em março ante fevereiro. Segundo a entidade, a elevação ocorreu por causa da disparada dos valores de laticínios, que subiram 11% e têm peso de 17% no cálculo do indicador.

O índice de preços de alimentos da FAO, que mede a variação mensal dos preços globais de uma cesta de commodities alimentícias, marcou 212 pontos em março. Contudo, foi registrado uma queda de 1,7% em relação ao mesmo mês do ano passado e baixa de 11% ante pico atingido em fevereiro de 2011.

A FAO disse ainda que a maioria dos outros preços de commodities importantes ficou estável em março. Segundo a organização, o Índice de Preços dos Cereais se manteve inalterado no mês passado, em 244 pontos. Enquanto os preços do milho subiram devido a uma queda na oferta disponível para exportação dos EUA, os valores mais baixos do trigo em virtude de perspectivas de uma safra global volumosa compensaram esses aumentos, disse a FAO. Já os preços internacionais do arroz ficaram estáveis.

Leia também:

Publicidade

Inflação do tomate desacelera. Cebola dispara

Com alta do tomate, aumenta o contrabando na fronteira com a Argentina

Leite – O índice de preços de laticínios saltou 22 pontos no mês passado, para 225 pontos, devido ao clima seco e quente na Oceania que levou à queda acentuada da produção de leite e à diminuição do volume de laticínios processados na região. A Nova Zelândia é o maior exportador de laticínios do mundo, com cerca de 1/3 do comércio global do setor. Os preços de exportação de laticínios também subiram em outros importantes exportadores, como a União Europeia e os Estados Unidos, mas não na mesma medida, destacou a FAO.

“O aumento excepcional é, em parte, um reflexo da incerteza do mercado, com compradores buscando fontes alternativas de fornecimento”, acrescentou a entidade. “Além disso, a produção de leite da Europa ainda não está a pleno vapor depois de um inverno particularmente frio, que atrasou o crescimento das pastagens para alimentar os animais leiteiros.”

Publicidade

Obesidade – Um relatório do Banco Mundial apresentado no fim do mês passado mostra que a expectativa é que a alta no preço dos alimentos possa influenciar o aumento do número de obesos no mundo. De acordo com o vice-presidente para a Redução da Pobreza e da Gestão Econômica do Banco Mundial, Otaviano Canuto, os produtos mais saudáveis, frescos, estão ficando mais caros, enquanto os considerados junk food, com maior teor de sal, açúcar e gordura, mais baratos. A obesidade é uma das maiores causas de aumento de gastos dos países com saúde.

(com Estadão Conteúdo)

Publicidade