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Leilões e gestão focada em resultados levam Eneva ao destaque no setor de óleo e gás

Gigante do gás, ressurge das cinzas: de pré-falimentar a Ebitda recorde de R$ 6,5 bilhões em 2025 com estratégia inovadora

Por Rosenildo Gomes Ferreira 28 ago 2026, 05h30
Leilões e gestão focada em resultados levam Eneva ao destaque no setor de óleo e gás Priorizar nos meus resultados Google

A Eneva, maior empresa de gás do país controlada por capital privado, é um exemplo bem acabado de volta por cima. Fechou 2025 com um Ebitda (lucro operacional) recorde de 6,5 bilhões de reais, um avanço de 43% sobre o ano anterior. Esse desempenho coroou a jornada iniciada em 2013, quando o BTG Pactual assumiu o processo de resgate da Eneva, que à época se chamava MPX e estava em estado pré-falimentar. “Quando ingressei na companhia, há doze anos, como diretor de operações, vivíamos uma situação extremamente delicada”, diz Lino Cançado, presidente da Eneva. “Estávamos às portas de uma recuperação judicial causada por custos elevados em função do atraso na entrega das usinas de Itaqui e Pecém, o que nos obrigava a comprar energia a preço-teto em um momento de alta demanda por causa da escassez hídrica.”

Lino Cançado, presidente da Eneva: previsibilidade e pragmatismo
Lino Cançado, presidente da Eneva: previsibilidade e pragmatismo (./Divulgação)

A nova gestão adotou mudanças estruturais e estratégicas que deixaram a companhia apta a capturar dividendos das novas regras do setor elétrico e da crise climática, que impulsionou as fontes eólica e solar. Por ser menos poluente que os demais hidrocarbonetos, o gás natural passou a ser visto como o “combustível de transição”, cuja participação na matriz energética mais que dobrou desde 2000, para 11% no ano passado, com pico de 15% em 2021. Boa parte do uso está relacionada ao segmento industrial, à área de transportes e à geração de energia no horário noturno, quando as usinas solares estão inativas.

O diferencial da Eneva é seu modelo integrado de atuação, conhecido como reservoir-to-wire (R2W), com presença da prospecção do combustível à geração de energia no local da extração, além do despacho via gasoduto ou entrega aos clientes finais. Com isso, a empresa consegue reduzir riscos conjunturais, como a súbita elevação do preço da commodity no mercado internacional, quando precisa complementar a produção local. “Observamos o cenário macroeconômico com pragmatismo, mantendo a disciplina de capital e privilegiando contratos de longo prazo, atrelados à inflação, o que assegura a previsibilidade da nossa receita”, diz Cançado.

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Essa postura se reflete no balanço financeiro, com destaque para a receita líquida, que chegou a 13,8 bilhões de reais no ano passado. Outro dado que rendeu o primeiro lugar no setor de petróleo e gás do ranking TOP30 é a robustez dos ativos: eles cresceram cerca de 80% desde 2022. Colaborou para isso o ritmo de aquisições no Brasil, que consumiram 10 bilhões de reais, com negócios considerados certeiros pelo mercado. Em relatório divulgado recentemente, o Banco Safra disse esperar “que a companhia se beneficie dos projetos adquiridos no leilão de reserva de capacidade de 2026. A expectativa de melhora operacional desses ativos sustenta a avaliação positiva para a empresa nos próximos períodos”. Ou seja, a iniciativa pode dar ainda mais gás à Eneva.

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Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29

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