Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Leilão do BC se sobrepõe ao exterior e dólar recua

Por Silvana Rocha

São Paulo – O mercado de câmbio doméstico operou nesta sexta-feira, espremida entre o feriado de Corpus Christi e o fim de semana, com volume de negócios mais fraco que o habitual. Isso favoreceu a volatilidade das cotações. A subida da moeda ante o real pela manhã, em resposta à valorização externa do dólar e às quedas dos juros futuros na BM&F após a ata do Copom foi revertida antes mesmo do meio-dia. Isso porque o Banco Central anunciou que faria uma oferta de swap cambial das 12h30 às 12h45. A operação atendeu à demanda do mercado e se sobrepôs à pressão externa, levando o dólar a oscilar à tarde ao redor da estabilidade, com viés de baixa diante do real.

Após a moeda subir ante o real até a máxima de R$ 2,0420 (+0,64%) no fim da manhã, o Banco Central anunciou uma oferta de até 30 mil contratos de swap cambial, com dois vencimentos, equivalente a US$ 1,5 bilhão. Como esse leilão representa venda no mercado futuro, o dólar logo devolveu os ganhos diante do real e testou as mínimas intraday. O piso à vista foi de R$ 2,0240 (-0,25%) no balcão às 11h58. O dólar futuro julho/12 também cedeu ao piso intraday de R$ 2,0290 (-0,64%), após avançar antes do anúncio do BC até a máxima, de R$ 2,0520 (+0,49%).

No leilão, o BC negociou 67,6% da oferta total, ou seja, vendeu 20,4 mil contratos de swap cambial, com dois vencimentos, num total de US$ 1,014 bilhão.

No fechamento, o dólar à vista caiu 0,20%, a R$ 2,0250 no balcão. Na semana, acumulou queda de 1,03%. Mas, em junho, ainda contabiliza alta de 0,40% ante o real e, no ano, +8,35%. Na BM&F, onde a liquidez foi muito fraca, o dólar spot encerrou em alta de 0,26%, na máxima de R$ 2,0286. O giro financeiro total à vista registrado na clearing de câmbio até 16h44 somava US$ 1,546 bilhão. Deste total, US$ 1,299 bilhão foram negociados em D+2 – 23% inferior ao volume de quarta-feira.

Já o dólar futuro para julho de 2012, às 16h46, recuava 0,49%, a R$ 2,0330, com giro de US$ 17,816 bilhões, de um total de US$ 17,879 bilhões movimentos com dois vencimentos.

Lá fora, porém, a moeda norte-americana sustentava-se em terreno positivo ante o euro e algumas divisas de países emergentes exportadores de commodities, como os dólares canadense e neozelandês, entre outras. As razões apontadas para esse avanço do dólar foram a não confirmação pelo Federal Reserve ontem de uma nova rodada de estímulos à economia no curto prazo; o corte de juros chinês de 0,25 pp, que elevou as preocupações com a desaceleração do crescimento mundial; e ainda as dificuldades do sistema bancário da Espanha pesando contra o euro. Na quinta-feira a Fitch rebaixou os ratings da Espanha.

Em Nova York, às 16h34, o euro caía a US$ 1,2501, ante US$ 1,2581 no fim da tarde de ontem. O dólar estava em 79,41 ienes, de 79,21 ienes na véspera, e subia a 0,9606 franco suíço, ante 0,9544 franco suíço na quinta-feira.