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Leilão do BC de compra à vista faz dólar subir 0,58%

Por Silvana Rocha

São Paulo – Após expectativas favoráveis de fluxo cambial derrubarem o dólar da máxima de R$ 1,7350 (+1,05%), registrada no começo do dia, para a mínima de R$ 1,7130 (-0,23%), testada no início da tarde, o Banco Central fez um leilão de compra da moeda no mercado à vista, operação que não era feita desde 13 de setembro. Desta vez, após a operação, o dólar foi reconduzido ao terreno positivo, ao contrário de sexta-feira, quando um leilão de compra de moeda a termo não impediu a quarta baixa seguida do dólar ante o real. A taxa de corte do leilão hoje foi de R$ 1,717, mais baixa do que a de R$ 1,7383 fixada na sexta-feira.

No fechamento, o dólar à vista subiu 0,58%, a R$ 1,7270 no balcão, após acumular perda de 1,83% nas quatro sessões anteriores. Em fevereiro, a divisa apura queda de 1,03% e, no ano, de 7,60%. Na BM&F, o dólar spot encerrou com avanço de 0,45%, a R$ 1,7228.

Na primeira parte dos negócios, o dólar desceu ao patamar de R$ 1,71, pressionado pelo anúncio de novas emissões corporativas externas e pela reação positiva dos investidores ao resultado do leilão de privatização de três aeroportos no País. Fontes de bancos consultados calcularam que, do total de R$ 24,535 bilhões (cerca de US$ 14,186 bilhões) arrecadado no leilão, a participação dos sócios estrangeiros nos consórcios vencedores pode chegar a cerca de US$ 2,5 bilhões. Esses recursos, no entanto, só devem começar a chegar ao País 12 meses após a assinatura dos contratos com os grupos vencedores, o que está previsto para maio, e de forma gradativa.

Na lista de novas captações, constam uma de US$ 1 bilhão da Brasil Telecom com bônus de dez anos e que teria tido demanda para US$ 8 bilhões, segundo uma fonte do mercado. Como a desaceleração seguida de queda do dólar na primeira parte dos negóciosocorreu muito mais em cima de expectativas de fluxo positivo ao País do que de ingressos efetivos de recursos no mercado, a inversão para a alta à tarde foi rápida uma vez que o volume de negócios relativamente pequeno também favoreceu a volatilidade. O giro financeiro total registrado na clearing de câmbio às 16h58 somava US$ 2,263 bilhões, dos quais US$ 1,930 bilhão em D+2.