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Leilão de linhas de transmissão tem interessados para só 4 de 11 lotes

Dois lotes foram arrematados pela espanhola Isolux, um pela estatal goiana Celg GT e outro pela Planova. Baixa procura frustrou expectativas da Aneel

O leilão de linhas de transmissão realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta quarta-feira atraiu investidores para apenas quatro dos 11 lotes de empreendimentos ofertados. Dois lotes foram arrematados pela espanhola Isolux, um pela estatal goiana Celg GT e outro pela Planova, uma empresa de planejamento e construções novata no setor.

Outras empresas que tradicionalmente disputam os certames, como a espanhola Abengoa, a brasileira Alupar e a chinesa State Grid, chegaram a se cadastrar para concorrer em alguns lotes, mas não apresentaram propostas.

Com a pouca concorrência, o único deságio representativo frente à receita teto estabelecida pela Aneel para remunerar as empresas pela construção e operação das linhas foi de 15,5%, dado pela Celg. O deságio é a diferença entre o valor mínimo estabelecido e o quanto foi efetivamente pago.

A Isolux ofereceu descontos de 1,49% e 0,12% nos empreendimentos que levou, enquanto a Planova ofereceu uma proposta sem nenhuma redução de preço. Os lotes arrematados pela Isolux serão construídos na Bahia e em Rondônia, com receita anual de, respectivamente, 117,3 milhões de reais e 96 milhões de reais.

Já a Planova receberá 17,7 milhões de reais por ano para construir e operar linhas no Rio Grande do Sul, enquanto a Celg GT terá receita de 17,8 milhões de reais por ano para instalar e manter uma subestação de energia em Goiás.

Os lotes levados por Planova e Celg eram os de menor receita dentre os ofertados pela Aneel, enquanto os empreendimentos que ofereciam maior remuneração, em Minas Gerais e Mato Grosso, não atraíram os investidores.

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Para o diretor da agência reguladora, Reive Barros, o leilão de transmissão ficou aquém das expectativas da Aneel. “Precisamos fazer uma nova avaliação. Tivemos uma melhoria substancial em relação a leilões anteriores em termos de taxa de retorno ao investidor e de prazo maior, mas não foi suficiente”, disse.

Na busca por justificativas para o fraco resultado do leilão, o diretor da Aneel destacou que há um aparente descasamento entre lotes ofertados e possíveis interessados. “Percebemos que existe oferta muito grande e redução substancial de quantidade de empreendedores”, afirmou.

(Com agência Reuters)